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Maria Flor reflete sobre carreira, regulação das redes sociais e os desafios de ser mulher

Em entrevista exclusiva, a atriz Maria Flor fala sobre sua peça 'O Filho', a necessidade de regulamentar as redes sociais e os desafios cotidianos enfrentados pelas mulheres.

Redação•31 de ago. de 2026, 11:57
Maria Flor reflete sobre carreira, regulação das redes sociais e os desafios de ser mulher
Imagem: site

Maria Flor reflete sobre carreira, regulação das redes sociais e os desafios de ser mulher

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Uma trajetória de convicções e arte

À primeira vista, Maria Flor, de 42 anos, parece serena em suas respostas, mas sua firmeza revela uma mulher de convicções profundas. Uma das atrizes reveladas pelo cinema e televisão brasileira nos anos 2000, ela ganhou projeção como Tina no remake de Cabocla (2004). Contudo, foi como Aline, na série homônima exibida entre 2009 e 2011, que ela provocou discussões ao viver um triângulo amoroso em uma comédia romântica que explorava a liberdade sexual e os desejos juvenis.

Atualmente, Maria Flor divide com Maria Ribeiro o palco na peça 'O Filho', em cartaz no Teatro do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. A obra aborda a depressão na adolescência, focando em um jovem de 16 anos que, após a separação dos pais, tenta reencontrar o sentido da vida ao se mudar para a casa do pai.

A depressão e o impacto das redes sociais

Para a atriz, o sofrimento adolescente atual está intensamente ligado às redes sociais e à pressão estética. Segundo ela, a relação com a autoimagem impactada por padrões irreais causa um sofrimento profundo no processo de amadurecimento. Maria Flor destaca que 'O Filho' é um exercício de atuação sensível e delicado que busca lançar um olhar cuidadoso sobre a família nesse contexto.

Sobre o controle do uso de tecnologias, a atriz defende o monitoramento rigoroso por parte dos pais. Ela compartilha o exemplo de seu enteado de 12 anos, filho de seu marido Emanuel e de Fernanda, que ainda não possui celular, sendo o único da turma nessa condição. Flor aponta o dilema: embora o isolamento social seja um risco, já que os jovens organizam tudo via WhatsApp, a regulação é necessária por falta de ferramentas críticas nos adolescentes.

Regulamentação das Big Techs e saúde mental

Maria Flor declara-se abertamente a favor da regulamentação das redes sociais, admitindo que até adultos, como ela mesma, sentem-se descontrolados com o uso do Instagram. Ela argumenta que a discussão envolve interesses financeiros das big techs, mas é um caminho que muitos países já estão seguindo e que deve chegar ao Brasil. Em casa, o tema da saúde mental é recorrente, visto que seu marido e sua sogra são psicanalistas, o que nutriu suas reflexões para a peça, embora nunca tenha sofrido de depressão clínica.

Masculinidade, liberdade e os desafios de ser mulher

Ao analisar a sociedade contemporânea, a atriz vê a humanidade em crise, especialmente quanto aos papéis de gênero. Ela critica propostas retrógradas que tentam confinar homens e mulheres a funções fixas de provedor e cuidadora, defendendo a multiplicidade de escolhas, desde a maternidade solo até a liberdade de não casar ou seguir diferentes orientações sexuais. Ela afirma que tais retrocessos 'emburrecem a sociedade'.

Apesar de ser uma mulher branca e privilegiada na Zona Sul do Rio, Maria Flor revela que a vulnerabilidade feminina é uma constante: 'Deixo todos os dias de fazer alguma coisa, porque sou mulher'. Ela menciona a preocupação com horários e roupas ao utilizar serviços como Uber como exemplos de um estado de alerta permanente.

Literatura e superação de crises

Recentemente, a atriz lançou com seu marido, Emanuel, o livro 'O Amor Ainda Possível'. A obra nasceu de uma crise conjugal profunda onde o diálogo verbal havia falhado. O casal passou a trocar cartas deixadas na cabeceira, um processo íntimo e sincero que ajudou na reconexão e que, posteriormente, decidiram compartilhar com o público para auxiliar outras pessoas em situações semelhantes.

O bate-papo completo com Maria Flor está disponível no canal VEJA+ no YouTube e em plataformas de streaming como Samsung TV Plus, LG, TCL e Roku, com novos episódios da coluna GENTE todas as segundas-feiras.

Fonte: https://veja.abril.com.br/cultura/maria-flor-deixo-todos-os-dias-de-fazer-alguma-coisa-porque-sou-mulher/

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