A candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), classificou como um 'vale-tudo' a desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa, anunciada nesta segunda-feira, 28, a seis dias do primeiro turno. Em mensagem nas redes sociais, Marina interpretou o movimento como uma tentativa de conter o avanço de sua candidatura e da sua aliada Simone Tebet (PSB), ambas da base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
'Sempre digo que a forma como se ganha determina a forma como se governa', escreveu Marina. Segundo ela, a saída de Salles ocorre em meio a uma articulação do campo da direita para evitar a eleição das duas candidatas.
'Os eleitores de São Paulo merecem respeito', afirmou. Salles anunciou a retirada da candidatura ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e declarou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), nomes apoiados pelo governador na disputa pelas duas vagas ao Senado.
Marina reforçou a campanha pela eleição de duas mulheres ao Senado, o que ela chama de 'oportunidade histórica'. Ela citou no pronunciamento as suas prioridades de campanha: a defesa dos direitos das mulheres, a educação, o enfrentamento das mudanças climáticas, a democracia e o combate à corrupção.
Derrite, por sua vez, recebeu o apoio de Salles e classificou a decisão como um gesto 'altruísta'. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que os dois atuarão para impedir que candidaturas apoiadas por Lula cheguem ao Senado e prometeu levar para Brasília as pautas defendidas pelo ex-ministro.
Salles afirmou que abriu mão da candidatura para que São Paulo permanecesse uma 'fortaleza que o PT nunca governou'. A disputa paulista envolve duas vagas para o Senado. Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, Marina tinha 15% das intenções de voto, Tebet, 14%, e Derrite e André do Prado, 12% cada. Salles aparecia com 4%. Os quatro primeiros estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
