O mercado de apostas esportivas e jogos on-line no Brasil movimentou mais de R$ 318 bilhões em depósitos entre janeiro de 2025 e junho de 2026, alcançando uma média diária de R$ 582 milhões. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Fazenda e obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Os dados foram processados pelo Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP), vinculado à Secretaria de Prêmios e Apostas.
Nesta sexta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma Medida Provisória (MP) para proibir as apostas esportivas e cassinos on-line no Brasil, a nove dias das eleições. O governo também enviou ao Congresso Nacional um Projeto de Lei para endurecer as regras contra o mercado ilegal de apostas, definindo conceitos e tipificando crimes do setor. O anúncio das medidas foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em cerimônia realizada na capital paulista.
A decisão gerou reações divergentes: governistas classificaram a iniciativa como uma "medida social", enquanto a oposição a apontou como uma "medida eleitoreira". Entidades e empresas do setor prometeram judicializar a questão, e clubes de futebol — que haviam publicado um manifesto em 17 de setembro defendendo a manutenção do mercado e alertando sobre impactos financeiros e nos patrocínios — protestaram contra a proibição. Lula rebateu os clubes, afirmando que eles deverão buscar outras formas de financiamento.
Evolução e desaceleração dos aportes
Os registros do SIGAP mostram que os aportes cresceram ao longo de 2025, saindo de R$ 12 bilhões em janeiro e atingindo o pico da série em outubro, com R$ 22,59 bilhões depositados. No total do ano passado, os aportes somaram cerca de R$ 229,5 bilhões, com média superior a R$ 19 bilhões por mês — valor superior, por exemplo, às despesas totais do Ministério da Educação em 2025, que ficaram em pouco mais de R$ 222 bilhões segundo o Portal da Transparência.
No entanto, a comparação entre os períodos aponta uma desaceleração. No primeiro semestre de 2025, os recursos aportados alcançaram cerca de R$ 101 bilhões, enquanto nos primeiros seis meses de 2026 o montante recuou para R$ 88,5 bilhões, uma queda de aproximadamente 12%. No segundo trimestre de 2026, os depósitos somaram R$ 40 bilhões, valor quase 40% menor do que os R$ 66,2 bilhões registrados no quarto trimestre de 2025. Mensalmente, os dados detalham:
- Janeiro de 2025: R$ 12,04 bilhões
- Fevereiro de 2025: R$ 14,04 bilhões
- Março de 2025: R$ 17,14 bilhões
- Abril de 2025: R$ 19,13 bilhões
- Maio de 2025: R$ 19,43 bilhões
- Junho de 2025: R$ 19,17 bilhões
- Julho de 2025: R$ 19,82 bilhões
- Agosto de 2025: R$ 21,30 bilhões
- Setembro de 2025: R$ 21,26 bilhões
- Outubro de 2025: R$ 22,59 bilhões
- Novembro de 2025: R$ 21,89 bilhões
- Dezembro de 2025: R$ 21,68 bilhões
- Janeiro de 2026: R$ 18,65 bilhões
- Fevereiro de 2026: R$ 15,58 bilhões
- Março de 2026: R$ 14,20 bilhões
- Abril de 2026: R$ 13,49 bilhões
- Maio de 2026: R$ 13,48 bilhões
- Junho de 2026: R$ 13,05 bilhões
O Ministério da Fazenda justificou que optou por divulgar os dados de aportes — os depósitos efetivos feitos pelos jogadores nas contas das plataformas — por considerá-los uma medida mais precisa da entrada de recursos, visto que o "valor apostado" pode incluir saldos já existentes, prêmios anteriores e bônus. A pasta ressaltou que os números são dinâmicos e sujeitos a retificações das operadoras.
Cronograma de encerramento das atividades
Com a publicação da Medida Provisória, o governo estabeleceu um cronograma para a retirada dos sites do ar e a devolução dos saldos aos apostadores:
- 25 de setembro: Publicação da MP e início da proibição de novos aportes nas plataformas.
- Até 23h59 de 5 de outubro: Prazo para os apostadores realizarem a retirada voluntária de seus valores.
- A partir de 6 de outubro: Sites e aplicativos de apostas saem do ar, sem patrocínios ou operação no país.
- Entre 7 e 8 de outubro: As bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes discriminados por CPF.
- De 9 a 14 de outubro: Prazo para os bancos efetuarem a devolução dos saldos aos apostadores.
- A partir de 14 de outubro: Caso haja algum obstáculo para os bancos, a Caixa Econômica Federal receberá os recursos para providenciar o ressarcimento.
