Durante a 5ª edição da J. Safra Investment Conference, realizada em São Paulo nesta semana, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, fez coro à estratégia de comunicação do PT e associou o candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro, ao risco de uma “mexicanização” do Brasil.
Integrante do núcleo duro da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, com atuação focada em assuntos econômicos, Mercadante alertou sobre a possibilidade de nacionalização da cultura das milícias caso o adversário chegue ao Palácio do Planalto. O petista histórico questionou o público presente no evento sobre a expansão desse modelo criminoso para além do estado do Rio de Janeiro.
“Tem gente que se formou nessa cultura da milícia, nessa cultura do crime, que apoiou ali seis governadores que foram afastados. Vamos trazer essa cultura para os corações do país?”, declarou o presidente do BNDES, fazendo referência ao parlamentar do PL, conhecido como Zero Um.
Segundo a avaliação de Mercadante, uma eventual vitória do filho mais velho de Jair Bolsonaro na corrida presidencial poderia estimular o crescimento das milícias pelo território nacional, levando o país a ultrapassar um ponto de não retorno na influência desses grupos sobre as estruturas do Estado, cenário que ele classificou como “mexicanização”.
A ofensiva verbal ocorre na reta final da campanha presidencial para o primeiro turno, momento em que Lula e Flávio Bolsonaro aparecem como líderes isolados nas pesquisas eleitorais. O Partido dos Trabalhadores tem investido em publicações nas redes sociais e propagandas que ligam o candidato do PL às milícias fluminenses. As peças recordam que o opositor empregou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no período em que atuou como deputado estadual, a mãe e a então esposa do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, apontado como líder do grupo de extermínio Escritório do Crime e morto em confronto com a polícia baiana em 2020.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro adota uma postura de segurança pública linha-dura. O candidato do PL promete adotar diretrizes alinhadas aos Estados Unidos de Donald Trump para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações “narcoterroristas”. Além disso, o candidato critica o atual presidente, acusando-o de passar a mão na cabeça de integrantes de facções criminosas por se opor aos posicionamentos da Casa Branca.
