A abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão tem o potencial de ampliar as opções de escolha, embora o valor cobrado não seja obrigatoriamente o único critério considerado pelo público. A avaliação foi feita por Lucas Witzler, diretor-executivo da Ultragaz Energia Elétrica, durante o evento CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado, realizado na quinta-feira (24), em São Paulo, que reuniu especialistas e lideranças do setor.
Segundo o executivo, fatores como a qualidade no atendimento, a oferta de serviços e a previsibilidade de custos podem funcionar como diferenciais para captar clientes, mesmo em cenários onde a energia comercializada no ambiente livre apresente custos superiores aos do mercado regulado, comportamento já observado em outros países que implementaram o modelo.
Witzler apontou que análises de experiências internacionais indicam casos de migração do sistema regulado para o mercado livre apesar de uma desvantagem de preço. Nessas situações, aspectos como a previsibilidade e o padrão dos serviços prestados influenciaram diretamente a decisão de compra. Antes da expansão desse mercado, projeções do setor indicavam a possibilidade de economias de até 30% na fatura de eletricidade, variando conforme o perfil de consumo, as condições do mercado e o contrato firmado. O Mercado Livre de Energia funciona como um sistema em que o consumidor tem a autonomia de selecionar o fornecedor de eletricidade, além de negociar diretamente condições como preço, prazo, volume e a fonte de energia, a exemplo de opções solar ou eólica.
Simplicidade na jornada do consumidor
Para o diretor-executivo, a transição para o mercado livre apresentará maior aceitação e adesão caso a mudança entre empresas ocorra de maneira descomplicada. O executivo ressaltou que a fluidez do processo é um fator determinante para o êxito do modelo, ponderando que, embora o preço seja relevante, a economia financeira do consumidor pode perder protagonismo diante da facilidade da jornada.
O representante da Ultragaz também mencionou a perspectiva de tarifas e produtos vinculados a sinais horários de preço, avaliando que o mercado livre pode gerar estímulos para que os consumidores transfiram o uso de energia para horários de menor custo, ajudando a diminuir a demanda nos momentos de pico.
Além disso, Witzler pontuou que a abertura do setor converte o consumidor em cliente, viabilizando a escolha tanto do fornecedor de energia quanto de mercadorias e serviços agregados ao fornecimento. O executivo enfatizou a relevância da concorrência entre os operadores e defendeu a implementação de normas que assegurem condições equivalentes para todos os envolvidos, competindo com base em atendimento, preço e outros atributos. Nesse sentido, ele defendeu uma delimitação mais evidente entre as funções de distribuição e comercialização para facilitar a compreensão dos consumidores a respeito do papel de cada companhia.
