Uma reforma constitucional no México que exige que candidatos à Presidência renunciem a qualquer outra cidadania avança rapidamente para a aprovação final. A medida, apoiada pelo partido governista, também se aplicará a governadores estaduais e ao prefeito da Cidade do México.
A presidente Claudia Sheinbaum defendeu a iniciativa como uma salvaguarda contra interferências estrangeiras, declarando que os mandatários do país devem ter apenas uma bandeira, pátria e povo para defender. O governo sustenta que a proposta faz parte da ênfase na soberania nacional diante da crescente pressão do governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump.
Por outro lado, críticos apontam uma violação dos direitos políticos e afirmam que o objetivo é bloquear adversários da oposição e criar obstáculos para políticos com dupla cidadania. Opositores também avaliam que a regra pode dificultar a sucessão geracional dentro do partido Morena e de seus aliados, onde diversas figuras possuem passaportes estrangeiros. O bilionário e crítico do governo Ricardo Salinas acusou a iniciativa de ser um esforço para impedir sua possível candidatura presidencial em 2030, embora um porta-voz do Grupo Salinas tenha se recuado a comentar sobre o status de cidadania do empresário por ser uma questão privada. Uma fonte anônima do partido Morena confirmou à Reuters que a reforma visava dificultar uma candidatura de Salinas.
Larry Rubin, presidente da American Society of Mexico, condenou a exigência e afirmou que ter duas nacionalidades não torna ninguém menos mexicano. Em contrapartida, o embaixador mexicano nos Estados Unidos, Roberto Lazzeri, argumentou que a medida representa um endurecimento de exigências para cargos elevados, sustentando que maiores responsabilidades públicas exigem maiores obrigações com o país.
As modificações na Constituição foram aprovadas rapidamente nesta semana pela maioria das 32 legislaturas estaduais, contando com o apoio de parlamentares do Morena e de sua coalizão após passarem pelo Congresso Nacional. O próximo passo exige que o parlamento emita uma declaração formal de constitucionalidade para que o texto seja publicado no diário oficial. A nova regra entraria em vigor para potenciais candidatos em 2028, sem afetar governadores atuais ou candidatos das eleições legislativas de 2027.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/mexico-vai-proibir-presidentes-de-terem-dupla-cidadania/
