A cobertura da imprensa internacional sobre a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu a possível abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes ganhou destaque nos principais veículos globais na terça-feira (15.set.2026). Conduzido pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, o julgamento ultrapassou seis horas de duração sem alcançar uma deliberação final, sendo classificado como um evento histórico e a maior crise desde a redemocratização.
O impasse foi encerrado momentaneamente após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. A origem da controvérsia remonta à divulgação, pelo ministro André Mendonça, de um relatório da Polícia Federal que apontava diálogos e proximidade entre Moraes e Daniel Vorcaro, empresário e fundador do extinto Banco Master.
O jornal britânico The Guardian reportou que especialistas avaliam a conjuntura como a mais grave crise institucional brasileira desde a redemocratização em 1988. A publicação ressaltou o embate entre os magistrados às vésperas das eleições presidenciais, apontando consequências imprevisíveis. O veículo também registrou a declaração de Moraes acusando Mendonça de atuar a favor de um grupo político envolvido em uma tentativa de golpe de Estado no país. Segundo o jornal britânico, o embate judicial reflete a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu opositor Flávio Bolsonaro, opondo Moraes a Mendonça.
A agência de notícias britânica Reuters classificou a sessão como histórica ao tratar de uma crise institucional sem precedentes ocorrida a poucas semanas do pleito presidencial, o que acirra a disputa política entre governistas e oposicionistas.
Por sua vez, a agência norte-americana Associated Press enfatizou que Moraes e Mendonça posicionam-se em lados opostos do espectro político polarizado nacionalmente, recordando a atuação de Moraes no processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro à prisão.
O periódico espanhol El País definiu o processo como um caso monumental centralizado em um banco associado a um esquema de pirâmide financeira e lavagem de dinheiro, com conexões com políticos tanto da esquerda quanto da direita. O jornal ainda estabeleceu um paralelo entre o episódio e o escândalo da Operação Lava Jato.
