Os contratos futuros do milho registraram perdas nesta quarta-feira (23) na Bolsa de Chicago, impulsionados pela desvalorização do trigo e por ajustes de posições por parte dos investidores. O papel com vencimento em dezembro fechou a sessão com baixa de 1,44%, sendo cotado a US$ 5,29 por bushel.
Conforme ap apontamentos da Royal Rural, o grão chegou a recuar cerca de 1% no decorrer do pregão, acompanhando a tendência de queda entre as principais commodities agrícolas. A forte retração no preço do trigo eliminou parte do suporte que vinha sustentando o milho, intensificando a pressão vendedora. A consultoria Agrinvest pontuou que um dólar mais fortalecido e o reposicionamento dos agentes do mercado também influenciaram o cenário negativo do dia.
No campo da demanda externa, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que o México adquiriu 100 mil toneladas métricas de milho norte-americano para o ano comercial de 2026/27. O país latino-americano figura como um dos principais compradores do cereal dos EUA, e suas aquisições são monitoradas de perto para mensurar o ritmo das exportações. Além disso, o mercado avalia as condições de oferta interna nos Estados Unidos e os desdobramentos de negociações comerciais internacionais enquanto investidores se reposicionam para a temporada futura.
Desempenho do Trigo
O contrato futuro do trigo para dezembro encerrou o dia em baixa de 1,22%, cotado a US$ 7,08 por bushel. Durante a sessão, a commodity atingiu a marca de US$ 7,06 por bushel, menor patamar em quatro semanas, o que repercutiu diretamente nas cotações do milho.
A Royal Rural indicou que o recuo nos preços dos grãos em Chicago possui relação com recentes movimentações diplomáticas entre Rússia e Ucrânia. O mercado passou a precificar a hipótese de uma diminuição nos confrontos entre as nações, o que poderia abrandar o prêmio de risco embutido nas cotações nas semanas anteriores, embora o escoamento agropecuário pelo Mar Negro ainda enfrente gargalos.
Após encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que a Ucrânia aceita discutir um cessar-fogo no setor energético com a Rússia, desde que Moscou paralise os ataques contra a infraestrutura de energia, eletricidade, aquecimento e fornecimento de água do país. Zelensky também sugeriu a criação de uma reunião trilateral envolvendo Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, com o objetivo de agilizar os entendimentos.
Em paralelo, ocorrem negociações entre Turquia e Rússia para assegurar a proteção de embarcações comerciais no Mar Negro, canal logístico essencial para escoar a produção agrícola russa e ucraniana. A perspectiva de melhora no tráfego comercial reduz o peso do prêmio geopolítico sobre os preços em Chicago.
Anteriormente, trigo e milho vinham absorvendo os riscos associados ao acirramento de ataques a portos, navios e instalações de exportação na região do Mar Negro. Com as tratativas diplomáticas em andamento, o mercado considera uma eventual retração nos ataques e a retomada gradual dos embarques. Contudo, a Ucrânia condiciona o acordo à discussão mútua com a Rússia, sem garantias concretas de cessar-fogo ou normalização imediata das rotas, mantendo o monitoramento constante por parte dos agentes econômicos.
Mercado de Soja
A soja também encerrou o pregão em baixa na Bolsa de Chicago, refletindo a cautela dos investidores antes da reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping. O contrato com vencimento em novembro registrou queda de 0,57%, encerrando cotado a US$ 13,18 por bushel.
Segundo a Royal Rural, o contrato de soja para novembro operou próximo de US$ 13,16 por bushel ao longo do dia. O mercado aguarda definições concretas sobre o acordo comercial entre as duas maiores potências globais, com foco em diretrizes tarifárias e potenciais aquisições de produtos agrícolas dos EUA pela China.
Analistas acompanham ainda a previsão de chuvas para o sul de Nebraska e o norte do Kansas, com volumes localizados que podem atingir a marca de 100 milímetros até sábado. Caso o prognóstico se concretize, o excesso de umidade pode gerar atrasos pontuais na colheita da oleaginosa nos Estados Unidos.
O corretor de commodities da Kluis Commodity Advisors, Cole Raisbeck, avaliou em entrevista ao Successful Farming que os preços dos grãos devem permanecer sob pressão com o posicionamento dos investidores antes do encontro entre Trump e Xi. Outro ponto monitorado é a realização de um novo leilão de soja conduzido pelo governo chinês por meio de seu órgão estatal de estoques. Para Raisbeck, a comercialização de reservas antigas pode sinalizar uma manobra da China para abrir espaço a novas importações do grão norte-americano, principal expectativa do mercado com a cúpula entre os chefes de Estado.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/milho-recua-em-chicago-com-pressao-do-trigo-e-ajuste-de-posicoes/
