A escritora Min Jin Lee, autora do sucesso Pachinko, lança no Brasil na terça-feira 6 a obra Hagwon Americana, publicada pela editora Intrínseca com tradução de Alessandra Esteche e Lígia Azevedo. O livro de 688 páginas custa R$ 99,90 no formato físico e R$ 69,90 em e-book. A publicação coroa a trajetória da autora como testemunha da diáspora coreana e marca o terceiro volume de uma tetralogia sobre a experiência migratória, antecedida por Free Food for Millionaires (2007) e por Pachinko (2017), obra eleita pelo The New York Times como um dos melhores livros do século XXI e adaptada em uma série do Apple TV.
Naturalizada americana e aos 57 anos, Min Jin Lee traz em sua literatura vivências de sua própria infância. Em 1976, aos 7 anos, ela emigrou com a família da Coreia do Sul para os Estados Unidos para escapar dos impactos sociais e econômicos da ocupação japonesa (ocorrida entre 1910 e 1945, período que abarca a Segunda Guerra Mundial) e da Guerra da Coreia, que dividiu o país em 1953. Criada com duas irmãs em Nova York, no Queens, a autora buscou refúgio em biblioteca pública enquanto seus pais trabalhavam em um comércio atacadista de joias, após deixarem carreiras como executivo de marketing e professora de piano.
Diferente da onda coreana voltada ao entretenimento pop, k-pop e k-dramas, Lee aposta em romances sociais densos, acessíveis e baseados em cerca de uma década de rigorosa pesquisa sociológica por projeto. Em entrevista à revista VEJA, a escritora pontuou: “Os cidadãos comuns na Coreia do Sul enfrentam dificuldades na economia, na educação, sofrem com baixa taxa de natalidade e questões de saúde mental — coisas reais que não costumam aparecer nas novelas”.
Em Hagwon Americana, o enredo foca em uma obsessão da cultura coreana: o ensino nas hagwons, escolas particulares de reforço de elite voltadas para preparar jovens para estudos no exterior, especialmente nos Estados Unidos. “Queria analisar a razão por trás dessa esperança de que a educação é uma garantia contra o sofrimento”, afirmou a autora, acrescentando: “Me pergunto se as pessoas realmente ‘vencem’ na vida.”
A trama acompanha os personagens John e Helen Koh e seus três filhos, que lidam com o descompasso entre a meritocracia e dramas particulares ao transitarem entre Coreia do Sul, Austrália e Estados Unidos. Para construir suas histórias, a escritora realiza milhares de entrevistas com coreanos ao redor do mundo, conectando crises globais — como a recessão asiática de 1997 e a crise financeira de 2008 — ao cotidiano das famílias.
A obra também destaca o peso invisível e o esmagamento físico e mental que recaem sobre as mulheres imigrantes. “Esse fardo é tão esmagador que já vi muitas adoecerem extremamente jovens”, relatou. Atualmente residindo em Nova York com o marido e o filho Sam, Min Jin Lee reforça que seus livros sugerem que a verdadeira salvação encontra-se nos laços humanos, e não no dinheiro ou no status.
