O projeto apresentado pela Lynas Rare Earths e pela Meteoric Resources ao governo federal prevê a instalação de uma unidade de separação de óxidos de terras raras em Poços de Caldas, Minas Gerais. A informação foi divulgada à CNN pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
De acordo com o ministro, a estrutura tem potencial para se tornar a maior planta industrial de terras raras fora da China, colocando o Brasil em um patamar mais avançado na cadeia produtiva global do setor.
O projeto foi detalhado ao governo em uma reunião realizada em 16 de setembro com a participação de Alexandre Silveira, do CEO global da Meteoric Resources, Andrew Tunks, e do diretor-executivo da companhia no Brasil, Marcelo Carvalho. O encontro ocorreu antes da sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no Palácio do Planalto.
A nova política tem entre seus princípios a agregação de valor em território nacional, prevendo incentivos e autorizando apoio financeiro de bancos públicos e agências de fomento para projetos que internalizem etapas de beneficiamento e transformação mineral.
Aquisição de R$ 3,5 bilhões
A Lynas firmou acordo para adquirir 100% da Meteoric Resources em uma transação integralmente em ações avaliada em A$ 968 milhões, o equivalente a cerca de R$ 3,5 bilhões. A Meteoric é proprietária do projeto Caldeira, situado em Minas Gerais, apontado pelas empresas como o maior recurso conhecido de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China conforme o padrão JORC.
A iniciativa conta com recursos minerais estimados em 1,63 bilhão de toneladas, abrangendo terras raras leves e pesadas como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, materiais aplicados na produção de ímãs permanentes de alta performance.
A concretização da compra ainda depende de aprovações regulatórias no Brasil e na Austrália. No âmbito nacional, a mudança de controle da Meteoric passará pela avaliação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, instituído pela Lei nº 15.506. O colegiado poderá aprovar a operação estabelecendo exigências à Lynas, abrindo margem para o governo cobrar compromissos de agregação de valor no país ao longo do desenvolvimento da mina.
