O Ministério da Saúde formalizou junto à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia (Conitec) um pedido de urgência para avaliar a inclusão de remédios à base de semaglutida e liraglutida no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida, divulgada na última segunda-feira (28), ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometer a incorporação dos medicamentos, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, na rede pública.
De acordo com a pasta, a estimativa é de que o projeto receba uma projeção de R$ 1,5 bilhão por ano no orçamento. Com compras governamentais em grande escala e estímulo à produção nacional, o governo projeta uma queda de 80% a 90% no preço de aquisição dos futuros remédios, o que também deve baratear os produtos no mercado particular. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o foco não é a estética, mas sim o tratamento de pacientes com excesso de peso e diabetes.
O ministro destacou que a incorporação da medicação, quando associada a hábitos como atividade física e reeducação alimentar, pode gerar impactos positivos na redução de custos do sistema público de saúde, diminuindo a demanda por cirurgias bariátricas e internações decorrentes de doenças cardiovasculares e recidivas de câncer. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) apontam que mais de 13 milhões de pessoas vivem com diabetes no país, o equivalente a 6,9% da população, enquanto o índice de adultos com obesidade cresceu 118%.
O processo de avaliação na Conitec ainda está em andamento. Se aprovado, o SUS definirá critérios específicos para os pacientes aptos a receberem os tratamentos.
Crescimento no uso e investigações
Conforme dados da Anvisa, o total de usuários de canetas emagrecedoras saltou de cerca de 400 mil para mais de 750 mil por mês. Para ampliar a concorrência e baratear os custos, 16 novos produtos foram registrados em 2026, abarcando opções genéricas. Estudos recentes também apontam benefícios além da perda de peso: pesquisas indicam que os fármacos da classe GLP-1RA podem reduzir a mortalidade em pacientes com diabetes tipo 2 e doença arterial periférica, além de diminuir o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer associados à obesidade.
Apesar disso, o avanço no acesso ocorre em meio a investigações conduzidas pela Anvisa sobre possíveis efeitos colaterais, incluindo 13 notificações suspeitas de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA), condição rara que pode levar à cegueira. Dos registros, 12 envolvem semaglutida e um está ligado à tirzepatida. A agência reguladora ressaltou que analisa as ocorrências e ainda não estabelece uma associação definitiva entre a enfermidade e o consumo das canetas.
