Um relatório divulgado nesta quinta-feira (17) pela Missão Internacional Independente de Investigação sobre o Irã apontou razões para acreditar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra em dois ataques militares realizados em fevereiro no território iraniano, atingindo uma escola e uma instalação esportiva. O documento será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
De acordo com os investigadores, há indícios de que as forças americanas foram responsáveis pelo ataque à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab. Autoridades iranianas apontam que mais de 150 pessoas morreram no local, incluindo cerca de 120 crianças em idade escolar. O relatório aponta que o alvo foi definido com base em inteligência sobre um alto comandante militar iraniano, mas sem verificação adequada. Os especialistas afirmam que o prédio era um objeto civil claramente identificável e que os EUA agiram de forma imprudente, sabendo do risco substancial de atingir um local civil.
Em junho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que ninguém atacou propositalmente uma escola para meninas no Irã em fevereiro, citando uma investigação sobre o caso. Uma investigação interna inicial das Forças Armadas dos EUA já havia apontado provável responsabilidade americana no episódio de Minab, e o Pentágono ampliou a apuração, sem publicar conclusões preliminares.
A missão da ONU concluiu de forma semelhante sobre um ataque a um centro esportivo em Lamerd, que resultou na morte e em ferimentos de 22 civis, além de danos a prédios residenciais e a uma escola, configurando ataque indiscriminado e crime de guerra. Em março, o Comando Central dos EUA afirmou em comunicado que as forças americanas não realizaram ataques na cidade de Lamerd naquele dia. As missões permanentes do Irã e dos EUA em Genebra não responderam de imediato aos pedidos de comentário da Reuters.
O documento da ONU também analisou a resposta do governo iraniano a protestos antigovernamentais iniciados no fim de dezembro. Os investigadores concluíram que autoridades do país cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão, que deixou centenas de mortos. Foram constatados assassinatos ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e restrições à liberdade de expressão em um ataque generalizado e sistemático contra civis.
O governo do Irã atribuiu a responsabilidade a terroristas e desordeiros apoiados por inimigos estrangeiros, como EUA e Israel. A missão não pôde verificar independentemente o número de óbitos, mas considerou provável que o total de mortos e feridos seja muito superior aos dados oficiais de 3.038 mortos e 25 mil feridos.
