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Economia

Modelo de gasto público e estímulo ao consumo do governo Lula resultam em ressaca econômica

O modelo de expansão de gastos e incentivo ao consumo do governo Lula começa a mostrar sinais de esgotamento, com juros altos e recordes de inadimplência empresarial e familiar.

Redação•06 de set. de 2026, 10:37
Modelo de gasto público e estímulo ao consumo do governo Lula resultam em ressaca econômica
Imagem: site

Modelo de gasto público e estímulo ao consumo do governo Lula resultam em ressaca econômica

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O crédito caro começa a cobrar seu preço na economia brasileira. Empresas encontram mais dificuldade para financiar operações e renegociar dívidas, enquanto as famílias comprometem uma parcela crescente da renda com prestações. Em vez de enfrentar o problema, o governo recorre a medidas que estimulam o consumo, mas também ajudam a manter os juros elevados — e, portanto, a aumentar o custo de empréstimos e financiamentos.

Estimulantes fiscais e o custo da dívida

Nesse aspecto, o terceiro mandato de Lula pode ser comparado a uma festa open bar embalada por um coquetel de estímulos fiscais. Sempre que a economia ameaça esfriar, o anfitrião distribui uma nova rodada de drinques, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 000 reais mensais, a criação dos programas Gás do Povo e Pé-de-Meia e a permissão para que trabalhadores saquem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para quitar dívidas.

Os economistas calculam que Lula despejou 300 bilhões de reais na economia desde 2023. Assim como convidados passando mal indicam que a festa foi longe demais, os recordes de inadimplência, endividamento e recuperações judiciais denotam que a combinação de incentivo ao consumo com juros altos já provoca uma forte ressaca — e ela pode piorar. “Ao insistir nessa fórmula, o presidente age para complicar o cenário nos próximos meses”, diz Claudio Damasceno, sócio da consultoria RGF, especializada em reestruturação de empresas. “Ele não reconhece a gravidade da situação.”

Recordes de inadimplência e recuperações judiciais

Não é por falta de alertas. Segundo a empresa de dados Serasa Experian, inéditos 9,2 milhões de empresas estão inadimplentes com compromissos não pagos que somam 239 bilhões de reais. Quase 6 400 negócios se encontram em recuperação judicial ou extrajudicial — o maior patamar da história. Apenas nas últimas semanas, recorreram à proteção da lei o Grupo Gennius, dono das redes de fast-food Habib’s, Ragazzo e Tendal, as varejistas Casas Bahia e Marabraz, e a Braskem, a maior petroquímica do país. Na terça-feira 1º, a Fertilizantes Heringer obteve na Justiça a suspensão por sessenta dias da execução de cobranças para renegociar dívidas de 834 milhões de reais. Um dia antes, a marca de óculos Chilli Beans anunciou uma reestruturação com o objetivo de convencer os bancos a reavaliar débitos de 600 milhões. A situação das famílias brasileiras também é alarmante: 82% delas — um recorde — estão endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio.

O conflito entre o governo e a política monetária

Os juros estão na base dos problemas que afligem empreendedores e consumidores. A taxa de referência Selic está em 14% ao ano, o que põe o Banco Central na mira de Lula — que não reconhece que é causador desse custo. Na segunda-feira 31, em jantar com dezesseis grandes empresários, o petista soltou um palavrão contra Gabriel Galípolo, presidente do BC, por manter a taxa nesse nível. Com um tom mais comedido, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também culpa os juros altos pelas dificuldades. Para os especialistas, declarações desse tipo mostram uma inversão de causa e efeito. “É o aumento dos gastos públicos que desequilibra a economia”, afirma Jucelia Lisboa, sócia da consultoria Siegen. “Isso coloca o Banco Central em uma posição delicada.”

A estratégia de Lula para angariar votos é conhecida: abrir os cofres públicos e turbinar o consumo, sem oferecer condições adequadas para que as empresas invistam e ganhem produtividade. Com isso, tudo o que consegue é pressionar a inflação. Ao mesmo tempo, para bancar os incentivos, o governo recorre a empréstimos e encorpa a dívida pública, que saltou de 72% para 82% do PIB neste mandato.

Restrição de crédito e o papel do Banco Central

Não restou outra saída para o BC além de manter a Selic nas alturas para conter a inflação. A decisão mostra que, apesar de indicado por Lula, Galípolo conhece seu papel como gestor da política monetária. Há pouco mais de um ano, durante uma audiência no Senado, ele definiu sua função: “Quando a festa está ficando muito quente e o pessoal já está em cima das mesas, o BC é o chato que tira a bebida e abaixa o som”. Na prática, isso significou encarecer o crédito para esfriar a economia. O crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre deste ano, após avançar 1,1% no primeiro, e o recuo de 0,4% no consumo das famílias mostram que parte do objetivo foi cumprido. “O que vivemos são os efeitos do aperto monetário”, diz Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV. “O BC faz o seu papel.”

O cenário nebuloso dificulta tanto a obtenção de novos recursos quanto a renegociação de dívidas, já que os bancos estão mais rigorosos. Fábio Zorzo, dono da varejista InPower, que faturou 1 bilhão de reais em 2025, pediu recuperação judicial após a interrupção de novos financiamentos bancários. O motorista de aplicativo Fábio da Silva também sentiu o impacto ao ter o crédito negado para a troca de veículo. “O endividamento das empresas e das famílias tem limites”, diz Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban. A agência Fitch rebaixou a nota de 25 grandes empresas brasileiras de janeiro a agosto, volume comparável apenas à recessão do governo Dilma.

Programas paliativos e o cenário fiscal

Enquanto isso, o governo recorre a paliativos como o programa Desenrola, em vez de atacar o desarranjo fiscal. O assunto desperta negacionismo no PT; Sérgio Gabrielli classificou a crise fiscal como fake news. Lula insiste em induzir o endividamento, como no programa Move Brasil, lançado para financiar veículos para motoristas de aplicativo e taxistas. Apesar do orçamento de 30 bilhões de reais e juros subsidiados pelo BNDES, a adesão é um fiasco pois os interessados já estão inadimplentes. “Quem mais precisa continua sem crédito”, diz Eduardo Lima de Souza, da Amasp. O alcance limitado evidencia que a farra fiscal já levou a uma grande ressaca econômica.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/modelo-de-gasto-publico-e-consumo-turbinados-do-governo-lula-ja-provoca-ressaca-economica/

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