O Morgan Stanley elevou a recomendação das ações brasileiras para compra e projetou uma alta de 15% a 20% para o Ibovespa até o final deste ano, caso haja uma mudança na política fiscal do governo federal. Segundo o banco de investimentos, em um cenário positivo, o avanço da bolsa brasileira poderá se estender até 2027, atingindo o patamar de 250 mil pontos.
A instituição avalia que este é o início do rebalanceamento do mercado de capitais no país. A equipe de analistas aponta que uma eventual alteração na política fiscal e geopolítica pode reduzir o custo de capital e reconectar o Brasil ao ciclo global de investimentos em inteligência artificial.
De acordo com o banco, juros mais baixos poderiam impulsionar a expansão de múltiplos e um novo ciclo de investimentos, transferindo capital da renda fixa para ações, além de direcionar gastos governamentais para investimentos privados na economia real. Os analistas destacam que a América Latina ingressa na fase de implementação de inteligência artificial em toda a sua cadeia de valor, contando com algumas das avaliações mais baixas e dos custos de capital mais altos de sua história.
A revisão otimista ocorreu após o resultado do primeiro turno das eleições gerais e do rali registrado na segunda-feira (5). No último pregão, a bolsa encerrou com alta superior a 7%, superando pela primeira vez a marca de 200 mil pontos e atingindo a máxima intradiária de 209.605,70 pontos, o maior nível já registrado. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), registrando 47,03% dos votos contra 45,16% do petista.
Para o Morgan Stanley, os resultados colocam Flávio Bolsonaro em posição favorável para o segundo turno, o que pode marcar o início de uma guinada política em direção a uma agenda mais favorável ao mercado. Entre os setores preferidos pelo banco nesse cenário estão serviços financeiros de qualidade sensíveis a taxas de juros, papéis selecionados de consumo, estatais e infraestrutura.
Além disso, o J.P. Morgan também alterou sua nota para as ações brasileiras de neutro para overweight. Contudo, o Morgan Stanley faz um alerta sobre os riscos: o novo presidente ainda não foi confirmado e a consolidação fiscal é fundamental para garantir um menor custo de capital.
