A pesquisadora Margaret Hamilton, pioneira na criação do campo da engenharia de software e cujo código ajudou os astronautas da NASA a chegarem à Lua, morreu aos 90 anos. O falecimento ocorreu no último dia 30 de setembro e foi confirmado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), seu antigo empregador, em publicação do departamento de aeronáutica e astronáutica. A causa da morte não foi divulgada.
Nascida em Paoli, Indiana, em 1936, Hamilton estudou na Universidade de Michigan e formou-se em matemática pelo Earlham College, também em Indiana. Ela começou a trabalhar no MIT em 1959, onde permaneceu até meados da década de 1970. Durante esse período, gerenciou a Divisão de Engenharia de Software do Laboratório de Instrumentação do MIT, que fechou contrato com a NASA em 1961. Ela liderou uma equipe de 100 engenheiros responsável pelo projeto do software que guiou as missões Apollo.
Hamilton é reconhecida como uma das fundadoras da engenharia de software, termo que popularizou e ajudou a estabelecer como prática profissional. Olivier de Weck, professor do Programa Apollo e chefe interino do Departamento de Aeronáutica e Astronáutica do MIT, declarou que ela desenvolveu códigos avançados e liderou uma equipe que utilizou tecnologia nascente para criar um dos sistemas mais complexos da história humana.
Entre as contribuições de segurança introduzidas por Hamilton está o episódio conhecido como o “erro de Lauren”, descoberto quando sua filha de 4 anos mexia em um simulador do módulo de comando Apollo e travou o sistema. A partir disso, Hamilton programou mecanismos para evitar problemas semelhantes em voo. Na missão Apollo 11, em 1969, o software de Hamilton anulou uma tentativa de alterar o processamento primário do computador de bordo para um sistema de radar, intervenção que ocorreu três minutos antes do pouso lunar e garantiu a segurança da missão, segundo a NASA.
Após seu trabalho no programa Apollo, o Laboratório de Instrumentação do MIT deu origem ao Laboratório Charles Stark Draper, atual Laboratório Draper. Hamilton formou sua própria empresa. Jerry Wohletz, CEO da Draper, afirmou que ela deixou uma marca indelével e garantiu o pouso e retorno seguro dos astronautas.
Ao longo de sua trajetória, Hamilton recebeu importantes honrarias. Em 2003, foi contemplada com o prêmio Exceptional Space Act Award da NASA. Em 2016, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade das mãos do presidente Barack Obama por sua contribuição à ciência e à exploração espacial.
