A crise nas exportações e o papel do Estado
No dia 3 de setembro, a União Europeia suspendeu a importação de carne bovina, frango, ovos, pescado e mel do Brasil. Não houve contaminação ou surto; o problema foi de natureza regulatória. A proibição de antimicrobianos como promotores de crescimento, anunciada pelo bloco em 2019, tornou-se norma em 2023 com prazo para 2024. O Brasil, único país reprovado, proibiu as substâncias apenas entre abril e maio de 2026, ignorando os avisos prévios.
O cenário internacional e a diplomacia econômica
O episódio se soma a outras dificuldades, como as salvaguardas impostas pela China em janeiro e as taxas aplicadas pelos Estados Unidos. O comércio internacional voltou a ser uma ferramenta de poder dos Estados, expondo a fragilidade brasileira: o país é uma potência na fronteira da produtividade, exportando US$ 169 bilhões em agronegócio em 2025, mas permanece amador na negociação.
A necessidade de uma estratégia nacional
O caso europeu evidencia a falta de comando e planejamento. Enquanto concorrentes se adaptaram ao cronograma, o Brasil reagiu com surpresa, o que configura uma falha estratégica. A solução exige uma diplomacia econômica organizada, que harmonize o investimento privado com o mercado futuro, superando a tendência histórica do país de se modernizar apenas sob constrangimento externo.
Um pilar para a segurança alimentar global
O autor, Gustavo Diniz Junqueira, defende que o mundo deve exigir rigor, clareza e prazos previsíveis do Brasil. Regras estáveis forçam o país a transformar sua capacidade dispersa em uma estratégia de Estado sólida. Com a demanda global por alimentos em alta e a escassez de oferta em outras nações, um Brasil que negocia com eficiência é essencial para a segurança alimentar mundial. Para o país, a indulgência internacional é mais prejudicial do que a cobrança técnica.
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/cenario-global/nao-pecam-menos-do-brasil/
