O relato de um agente marcado pela história
Michael Tuohey, um agente de atendimento ao cliente, vive até hoje com o peso de ter processado o check-in de dois dos terroristas responsáveis pelos ataques de 11 de setembro. Em uma manhã de rotina no Aeroporto Internacional de Portland, no Maine, ele atendeu Mohammad Atta e Abdul Aziz al Omari, que embarcariam no voo 11 da American Airlines, o primeiro a colidir com as Torres Gêmeas.
Tuohey relembra que, embora seu instinto tenha sinalizado algo incomum, ele seguiu rigorosamente os protocolos da época. As passagens foram pagas com cartões de crédito e compradas com antecedência, o que não disparou alertas de segurança sob as normas vigentes antes da criação do Departamento de Segurança Interna dos EUA.
O trauma e o processo de cura
Após os ataques que vitimaram cerca de 3.000 pessoas, a vida de Tuohey mudou drasticamente. Por anos, ele sofreu com visões e crises, chegando a acreditar ver Atta em carros que passavam por sua rua. Diagnosticado com transtorno dissociativo, ele buscou ajuda profissional e realizou seis meses de terapia intensiva.
Hoje, aos 80 anos, Tuohey reflete sobre a tragédia que transformou a geopolítica mundial e ceifou milhares de vidas em guerras no Iraque e no Afeganistão. Para ele, o trabalho terapêutico foi essencial para encontrar um caminho de aceitação sobre um passado que, embora não possa ser alterado, continua a ser uma ferida aberta na memória americana.
