A jurista, advogada e ativista de direitos humanos sul-africana Navanethem “Navi” Pillay foi anunciada nesta sexta-feira, 9, como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2026. A láurea foi concedida pelo Comitê Norueguês do Nobel em cerimônia realizada em Oslo, em reconhecimento à sua atuação na promoção da paz e do direito internacional por meio do processamento de casos contra crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana durante o regime do apartheid, Pillay atuou na defesa de Nelson Mandela e de outros opositores da segregação racial. Sua trajetória inclui passagens marcantes por cortes internacionais: foi juíza da Alta Corte da África do Sul, tornando-se a primeira magistrada não branca do tribunal, além de atuar como juíza e presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR), onde firmou um marco histórico ao ditar a sentença que reconheceu o estupro institucionalizado em guerras como elemento do crime de genocídio.
A laureada também exerceu o cargo de Alta Comissária para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014, tornou-se a 16ª comissária da Comissão Internacional contra a Pena de Morte em 2015 e integrou o grupo de 25 personalidades da Comissão sobre Informação e Democracia, da Repórteres Sem Fronteiras. Recentemente, atuou como juíza ad hoc na Corte Internacional de Justiça (CIJ) no painel que investiga crimes contra a humanidade contra a minoria muçulmana rohingya em Mianmar.
Em 2025, uma comissão das Nações Unidas liderada por Navi Pillay que investigou o conflito em Gaza concluiu que Israel cometeu genocídio contra os palestinos, gerando repúdio do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O presidente do Comitê Nobel Norueguês, Jorgen Watne Frydnes, destacou a independência, a expertise e a firmeza da jurista, apontando que o prêmio reflete um momento em que as instituições do direito internacional enfrentam pressões, sanções e ataques inéditos. Frydnes também mencionou que o momento geopolítico exige a defesa do império da lei diante de conflitos e da sobreposição da força.
A escolha ocorreu em meio a um universo de 287 indicados, sendo 208 indivíduos e 79 organizações. O anúncio também abordou o cenário internacional e as sanções impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra magistrados do Tribunal Penal Internacional (TPI) após a emissão de mandados de prisão envolvendo autoridades israelenses ligadas à guerra em Gaza. Por fim, Frydnes revelou em tom descontraído que ainda não havia conseguido contatar a vencedora no momento do anúncio.
