Situação crítica em Chitwan
Autoridades do distrito de Chitwan, no centro do Nepal, anunciaram planos para enterrar centenas de corpos não identificados em uma vala comum em um local sagrado hindu. A decisão, informada pela polícia local, ocorre em meio a dificuldades extremas para lidar com o volume de corpos em decomposição que foram recuperados, com os necrotérios da região operando em sua capacidade máxima. Dos 233 corpos recuperados no distrito de Chitwan, apenas quatro puderam ser identificados até o momento, conforme informou Ganesh Aryal, o principal administrador do distrito.
As vítimas serão sepultadas às margens do rio em Devghat, uma cidade de peregrinação hindu, com o processo tendo início nesta sexta-feira (29). Embora a cremação seja o rito funerário preferencial no hinduísmo, a situação de emergência sanitária impôs o sepultamento. Antes de cada enterro, amostras de DNA serão coletadas dos corpos para possibilitar identificações futuras. Aryal destacou que os locais de sepultamento serão devidamente marcados, permitindo que as famílias consigam localizar os restos mortais de seus entes queridos futuramente.
Desafios na identificação e pedidos de ajuda
Identificar os corpos tem sido um desafio monumental, segundo parlamentares nepaleses, pois muitos estão desfigurados e cobertos de lama após as trágicas inundações. Enquanto famílias desesperadas aguardam notícias em hospitais, o ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, confirmou que o governo solicitou ajuda técnica internacional para a identificação e o armazenamento das vítimas. O Nepal, que inicialmente recusou apoio externo em operações de busca e resgate, recuou e agora pede assistência estrangeira para lidar com a devastação na fronteira com a China.
A nação do Himalaia, que possui cerca de 30 milhões de habitantes, estima que precisará de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões (entre R$ 20 e R$ 25 bilhões) para a reconstrução. O desastre foi desencadeado pelo colapso de uma geleira na última quarta-feira (26), gerando uma enxurrada massiva de rochas, gelo e lama que destruiu edifícios, pontes e usinas de energia. Atualmente, cerca de 3.000 pessoas continuam desaparecidas, incluindo 540 estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus da Índia.
Riscos sanitários e cooperação internacional
Devido ao avançado estado de decomposição de alguns corpos recuperados três dias após a enxurrada, as autoridades alertam para riscos sanitários e o receio de epidemias. Em Catmandu, familiares buscam notícias no Campus Médico de Maharajgunj, onde fotografias de corpos são expostas nos muros para facilitar o reconhecimento. Das 49 vítimas levadas a esse hospital, apenas sete foram identificadas.
No âmbito internacional, a Índia enviou três voos com 60 toneladas de ajuda humanitária, incluindo cobertores, medicamentos e sistemas de purificação de água, além de oferecer equipes de resgate e engenharia. A China também solicitou cooperação internacional nos resgates e trabalha para localizar mais de 500 desaparecidos. Equipes de resgate chinesas chegaram ao complexo de fronteira de Gyirong utilizando cordas para atravessar florestas e penhascos, visto que as estradas foram totalmente destruídas. Imagens de segurança mostram a força da água invadindo edificações no momento em que a inundação atingiu o posto de fronteira.
