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Ninguém vai impor agenda política por meio da violência, diz premiê francês

Primeiro-ministro da França condena atos de violência em protestos pelo custo de vida e serviços públicos que levaram milhares às ruas neste sábado.

Redação•17 de out. de 2026, 15:30
Ninguém vai impor agenda política por meio da violência, diz premiê francês
Imagem: site

Ninguém vai impor agenda política por meio da violência, diz premiê francês

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O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, manifestou-se por meio das redes sociais para repudiar os atos de violência registrados durante protestos realizados em diversas cidades da França neste sábado (17). Na publicação feita na plataforma X, o premiê pontuou que manifestações pacíficas são legítimas na República, mas ressaltou que incêndios criminosos, saques e ataques não são aceitáveis.

Lecornu atribuiu a orquestração da violência em diferentes cidades a grupos de extrema-esquerda e elogiou a atuação das forças de segurança. Segundo o primeiro-ministro, policiais e gendarmes enfrentaram violência de extrema intensidade para proteger a população e merecem total apoio do povo francês, em um momento em que alguns tentam desacreditá-los.

As declarações do premiê ocorreram após o líder do partido de esquerda da França, Jean-Luc Mélenchon, afirmar que as manifestações ocorriam pacificamente, exceto nos locais onde a polícia restringia os atos. Lecornu rebateu as intimidações e enfatizou que ninguém conseguirá impor uma agenda política através da violência.

Projeto de lei e responsabilização

Diante dos tumultos, Lecornu destacou a tramitação de um projeto de lei previsto para ser lido no Senado francês ainda no mês corrente. A proposta estabelece que os participantes de tumultos possam ser responsabilizados financeiramente pelos danos materiais causados por eles próprios ou por terceiros. O chefe de governo argumentou que os recursos públicos são escassos e devem financiar serviços públicos em vez de reparar destruições causadas por vândalos.

Confrontos e mobilização nacional

Neste sábado (17), a polícia utilizou gás lacrimogêneo e entrou em confronto com manifestantes em várias localidades francesas, marcando um dos fins de semana de protestos mais violentos dos últimos anos. As mobilizações foram impulsionadas pelo custo de vida, por críticas aos serviços públicos e pela insatisfação com a desigualdade e os gastos estatais, tendo iniciado no mês passado em escolas de ensino médio nos subúrbios ao norte de Paris.

Até o meio-dia, as autoridades registraram 140 protestos fora da capital, reunindo 32.800 pessoas. O Ministério do Interior apontou incidentes violentos em várias regiões, incluindo atos de vandalismo em Marselha — onde a prefeitura foi alvo de ataques e recebeu reforços policiais — e investidas contra a polícia, a imprensa e prédios públicos.

Em Paris, houve forte presença de agentes de segurança no centro e em pontos turísticos como a Champs-Élysées e o Arco do Triunfo, que foram excluídos dos trajetos autorizados. Manifestantes com coletes de alta visibilidade bloquearam ruas, remetendo ao movimento dos "Coletes Amarelos" do mandato anterior do presidente Emmanuel Macron. A BFMTV informou que cerca de 100 pessoas foram detidas na região parisiense, majoritariamente por portar equipamentos de proteção proibidos.

Repercussão e escrutínio policial

O cenário político francês encontra-se fragmentado, com o presidente Emmanuel Macron na reta final de seu mandato e sob intensa pressão econômica, tendo os custos de endividamento do governo alcançado os níveis mais altos das últimas duas décadas. Enquanto manifestantes relatam insatisfação com o custo de vida e os preços de combustíveis, as táticas policiais enfrentam escrutínio.

Mais de 900 policiais ficaram feridos nos atos, ao mesmo tempo em que o órgão de controle da atividade policial investiga cerca de duas dúzias de denúncias de violência por parte dos agentes, em meio a registros de feridos entre os manifestantes, incluindo um adolescente que perdeu uma das mãos após recolher uma granada de efeito moral.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ninguem-vai-impor-agenda-politica-por-meio-da-violencia-diz-premie-frances/

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