O setor de carruagens puxadas por cavalos no Central Park, em Nova York, está próximo do fim. O prefeito Zohran Mamdani e a presidente da Câmara Municipal, Julie Menin, fecharam um acordo para apoiar uma legislação voltada a abolir os passeios na região. De acordo com informações repassadas à CNN por um porta-voz, a expectativa é que Menin leve a proposta de lei ao plenário da Câmara para votação ainda este mês.
A proibição será implementada em etapas e tem data marcada para entrar em vigor em 1º de junho de 2028, conforme documento analisado pela emissora. A medida ocorre após anos de pressão por parte de defensores dos direitos dos animais. Grupos do setor argumentam que os animais sofrem com jornadas excessivas, assustam-se com facilidade e ficam em estabulagens inadequadas, além de enfrentarem condutores que desrespeitam as normas municipais. Em contrapartida, proprietários de cavalos e carruagens negam as acusações, afirmando que os animais recebem cuidados adequados e que as instalações seguem as regras vigentes.
Na terça-feira (13), Zohran Mamdani declarou em suas redes sociais que a indústria de carruagens a cavalo está chegando ao fim na cidade. "A nossa administração garantirá que os trabalhadores e proprietários sejam protegidos e que os cavalos estejam seguros", afirmou o prefeito. Sneha Choudhary, porta-voz da Prefeitura, destacou em comunicado que a gestão trabalhou em conjunto com a Câmara Municipal, sindicatos, condutores, defensores do bem-estar animal e líderes comunitários para desenhar uma transição justa.
O movimento para banir a atração centenária ganhou força após a morte do turista Romanch Mahajan, de 18 anos. Ele faleceu no verão passado após ser arremessado de uma carruagem descontrolada no Central Park. Acredita-se que o caso tenha sido a primeira morte em um acidente do tipo desde o início dos passeios, há mais de 150 anos, segundo dados do sindicato do setor e da Central Park Conservancy. O projeto de lei que tramita na Câmara foi batizado de Lei Romanch.
O vereador Chris Marte, autor principal da proposta, informou que o texto conta com 29 coautores e a expectativa de aprovação tranquila com a maioria dos votos do conselho. O projeto inclui disposições para o destino dos animais após o encerramento das atividades: os proprietários deverão avisar o Gabinete do Prefeito para o Bem-Estar Animal antes do descarte, sendo estritamente proibida a venda ou transferência dos cavalos para abate ou para outras atividades de tração animal.
A decisão representa um revés para o sindicato TWU Local 100 (Transportation Workers Union), que representa os condutores. John Samuelsen, presidente internacional da entidade, criticou duramente a medida e afirmou que a proposta não traz alívio econômico real, limitando-se a prever feiras de emprego e orientação profissional até abril de 2027. Samuelsen acusou Julie Menin de utilizar uma morte trágica para criar artificialmente uma crise de segurança pública e classificou a atitude como oportunismo político.
Como parte do acordo firmado entre o prefeito e a presidência da Câmara, o projeto prevê uma estrutura de transição para apoiar os trabalhadores na migração para novas ocupações. A legislação estabelece que Mamdani indicará um órgão municipal para coordenar a transição, disponibilizando vagas e capacitação em áreas como a Comissão de Táxis e Limusines de Nova York, a MTA, a NYC Transit, a Autoridade Portuária e os setores de hotelaria e turismo.
