A Nvidia anunciou que sua receita deve crescer aproximadamente 70% no próximo ano, reforçando a percepção de que a busca global por infraestrutura de inteligência artificial permanece em ritmo acelerado. No segundo trimestre fiscal de 2027, encerrado em julho, a fabricante americana de chips registrou uma receita de US$ 96,2 bilhões (R$ 519,5 bilhões), valor que representa mais do que o dobro do resultado obtido no mesmo período do ano anterior.
Para o trimestre atual, a companhia projetou uma receita de US$ 108 bilhões (R$ 583,2 bilhões), superando as expectativas de analistas que previam US$ 104 bilhões (R$ 561,6 bilhões). Esse otimismo refletiu no mercado financeiro, impulsionando as ações da empresa em mais de 4% nas negociações pós-fechamento. O setor de data centers continua sendo o principal motor desses resultados, faturando US$ 89 bilhões (R$ 480,6 bilhões) no trimestre, um salto de 117% em comparação ao ano anterior.
Expansão da infraestrutura e parcerias estratégicas
Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, destacou que a demanda por chips não está mais restrita a poucas gigantes do setor, envolvendo agora startups, laboratórios de pesquisa e grandes corporações. Segundo Huang, a construção da infraestrutura de IA está operando "a todo vapor". Um exemplo dessa expansão é a parceria com a Amazon Web Services (AWS), que prevê a instalação de mais 2 milhões de GPUs da Nvidia em sua infraestrutura global, além da integração profunda de softwares e redes.
Os números da Nvidia impressionam pela escala: há um ano, o faturamento trimestral era de US$ 46,7 bilhões (R$ 252,8 bilhões). Atualmente, a empresa gera mais de US$ 90 bilhões a cada três meses. O lucro líquido atingiu US$ 59,7 bilhões (R$ 322,4 bilhões), uma alta de 126% em um ano. Apesar da margem bruta de 75%, a empresa prevê uma leve redução para 74% no próximo trimestre devido ao aumento dos custos de produção e gargalos no fornecimento de componentes, como memórias.
Financiamento bilionário e desafios geopolíticos
Para sustentar esse crescimento, a Nvidia elevou seus compromissos com fornecedores para US$ 279 bilhões (R$ 1,5 trilhão). Além disso, a empresa firmou parcerias com grandes gestoras como BlackRock, Blackstone, Brookfield, Apollo e KKR para mobilizar mais de US$ 500 bilhões (R$ 2,7 trilhões) em capital de terceiros para financiar projetos de computação de grande escala.
Entretanto, o cenário apresenta riscos significativos. A Nvidia enfrenta barreiras comerciais para vender seus produtos avançados na China e não incluiu receitas de data centers desse mercado em suas projeções futuras. Além disso, a concorrência se intensifica com empresas como Microsoft, Meta e Google desenvolvendo chips próprios, enquanto a AMD busca aumentar sua participação de mercado. Mesmo assim, a Nvidia mantém sua hegemonia no fornecimento de tecnologia necessária para os modelos de IA mais avançados do mundo.
