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O espírito bolsonarista que move a campanha de Ciro Gomes ao governo do Ceará

Ciro Gomes adota estratégia bolsonarista no Ceará, aliando-se ao PL de Flávio Bolsonaro e assumindo pautas da direita, como críticas ao STF e oposição a câmeras na PM.

Redação•27 de ago. de 2026, 19:29
O espírito bolsonarista que move a campanha de Ciro Gomes ao governo do Ceará
Imagem: site

O espírito bolsonarista que move a campanha de Ciro Gomes ao governo do Ceará

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A campanha de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará vem sendo tomada cada vez mais pelo espírito bolsonarista de fazer política. Diante de um vácuo eleitoral da direita local, o tucano fechou aliança com o PL de Flávio Bolsonaro e atraiu as principais lideranças do partido e de outras siglas à direita. Na esteira, passou a assumir discursos associados a esse campo político, entre eles a pregação antipetista e as críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A postura é adotada mesmo com o tucano sendo categórico ao afirmar que não apoia Flávio Bolsonaro à Presidência da República, da mesma forma que também não apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em muitas entrevistas, ele afirma que é “uma terceira coisa” e lembra que já esteve em eleições presidenciais contra Lula e Bolsonaro. A própria equipe de Ciro Gomes costuma ressaltar que ele conquistará o voto combinado no estado — Lula para presidente e Ciro para governador —, visto que pontua muito bem nas pesquisas contra o governador Elmano de Freitas (PT) e tem chance de vencer em um estado majoritariamente lulista, que é governado pelo PT há três mandatos consecutivos.

Segundo a última pesquisa, feita pelo instituto Real Time Big Data entre 15 e 19 de agosto, Ciro e Elmano estão numericamente empatados em 44% das intenções de voto. No segundo turno, o petista tem 46% contra 45% do tucano.

Alianças e o palanque à direita

Apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro e seus irmãos, Eduardo e Carlos, além do presidente do PL cearense, o deputado André Fernandes, Ciro Gomes montou um palanque inclinado à direita, com o apoio de siglas como União Brasil, PP e PL. Concorrendo ao Senado na sua chapa está o pastor e ex-deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE), pai de André Fernandes, que se notabilizou em setembro do ano passado ao dizer que já havia rezado para que Lula morresse. Após a repercussão de que a oração “não dava certo”, ele afirmou que se referia à “morte política” do petista.

O outro nome que disputa o Senado ao lado de Ciro é o ex-deputado federal Capitão Wagner (União-CE), que se projetou politicamente ao liderar um motim de policiais militares em 2020. Durante uma das paralisações em Sobral, o senador Cid Gomes, irmão de Ciro, chegou a ser baleado com dois tiros ao avançar com uma retroescavadeira contra um quartel amotinado.

Antipetismo e o vácuo político

As alianças de Ciro em 2026 foram possibilitadas pela adesão de políticos antipetistas cujo objetivo principal é derrotar Lula e Elmano. Ciro aproveitou a falta de concorrentes à direita após o senador Eduardo Girão (Novo-CE) deixar a disputa estadual para ser vice de Romeu Zema na eleição presidencial. A saída de Girão, que tinha o apoio de Michelle Bolsonaro, direcionou o eleitorado de direita para a campanha do tucano.

Discurso contra o STF e Câmeras na PM

Recentemente, Ciro Gomes adotou o enfrentamento aos ministros do STF, uma bandeira cara ao bolsonarismo. Em Fortaleza, ele afirmou que seus candidatos ao Senado ajudarão a “colocar um freio respeitoso, mas um freio, nos abusos de setores do Supremo Tribunal Federal”.

Além disso, Ciro sinalizou oposição ao uso de câmeras corporais por policiais militares, defendendo a extinção da corregedoria separada da estrutura policial criada pelo PT. “Eu quero libertar a polícia do Ceará até a hora em que a gente restaurar a ordem”, declarou o candidato, prometendo conter abusos apenas de forma “trivial” posteriormente.

Acusações de misoginia

Ciro também se envolveu em polêmicas sobre mulheres ao afirmar que “as mulheres do PT são absolutamente agressivas num feminismo vazio”. A fala gerou reações, como a da deputada federal Luisa Cela (PT), que o chamou de “machista” e recordou sua condenação por violência política de gênero contra a prefeita Janaína Farias (PT), a quem Ciro chamou de “cortesã”. Em sua defesa, Ciro alegou que sua fala foi tirada de contexto e que se tratava de uma crítica ao descaso do governo estadual com as mulheres.

Fonte: https://veja.abril.com.br/politica/o-espirito-bolsonarista-que-move-a-campanha-de-ciro-gomes-ao-governo-do-ceara/

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