Estabilidade na intenção de voto
A crise recente que colocou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em lados opostos na investigação sobre o Banco Master ainda não gerou mudanças significativas na intenção de voto dos brasileiros. De acordo com o levantamento do Datafolha, as acusações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes não alteraram a preferência de 85% do eleitorado, enquanto 86% afirmam o mesmo em relação às suspeitas contra o ministro André Mendonça.
A pesquisa, realizada entre 8 e 10 de outubro com 2.002 pessoas em 125 cidades, possui margem de erro de dois pontos percentuais. Encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, o estudo está registrado sob o código BR-01833/2026. Embora a maioria não tenha mudado de candidato, 66% dos entrevistados conhecem o caso, sendo que 4% decidiram mudar de voto devido aos episódios recentes.
Desenvolvimento da crise e números da corrida presidencial
O embate ganhou força quando Mendonça tornou público um relatório sigiloso sobre a relação de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O documento detalha um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório da esposa de Moraes, além de mensagens de Vorcaro sobre evitar uma possível prisão. No cenário eleitoral, Lula (PT) oscilou para 39% e Flávio Bolsonaro (PL) para 35% das intenções de voto.
Desconfiança e atuação do STF
A pesquisa revela um desgaste na imagem do tribunal: 77% dos brasileiros acreditam que a confiança no STF diminuiu. Além disso, 76% dos entrevistados consideram que os ministros possuem poder excessivo, embora 71% ainda avaliem a Corte como essencial para a democracia. As opiniões sobre punições variam: 28% defendem o impeachment de Moraes, enquanto 34% apoiam seu afastamento temporário.
O conflito gerou uma escalada institucional, incluindo ordens de afastamento de membros da Polícia Federal por parte de Mendonça. Para conter o embate, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu medidas e agendou uma sessão para discutir a conduta de Moraes no dia 15 de outubro. Um julgamento separado, focado em Mendonça, foi agendado para o dia 23 de setembro, após Fachin negar a unificação dos processos por possuírem objetos distintos.
Fonte: https://veja.abril.com.br/brasil/o-impacto-no-eleitorado-da-crise-no-stf-segundo-pesquisa/
