A profecia de Rick Rescorla
A cidade de Nova York marca, nesta sexta-feira, os 25 anos dos ataques de 11 de Setembro, quando terroristas da Al-Qaeda derrubaram as Torres Gêmeas, deixando cerca de 3 mil mortos e centenas de feridos nos Estados Unidos. O número de vítimas, no entanto, poderia ter sido ainda maior não fosse a atuação de Rick Rescorla, ex-coronel responsável pela segurança da empresa Morgan Stanley, que ajudou a retirar 2.687 pessoas da Torre Sul antes do desabamento.
Veterano dos Exércitos britânico e norte-americano e da Guerra do Vietnã, Rescorla alertou durante anos para a vulnerabilidade das Torres Gêmeas. Após o atentado de 1993, quando um caminhão-bomba explodiu no subsolo de uma das torres, o ex-militar passou a defender que a Morgan Stanley, que ocupava 22 andares da Torre Sul do World Trade Center, deixasse o local e chegou a considerar a possibilidade de um ataque com avião. Como a empresa decidiu permanecer no prédio, Rescorla criou um rígido plano de emergência, promovendo treinamentos de evacuação pelo menos duas vezes por ano.
O ato de bravura
Quando o primeiro avião atingiu a Torre Norte em 11 de setembro de 2001, Rescorla desobedeceu às ordens da administração do World Trade Center para que os trabalhadores permanecessem no local e ordenou a evacuação imediata. O ato salvou 2.687 pessoas, mas Rescorla não conseguiu sair a tempo. "Tudo acima do ponto onde aquele avião atingiu vai desabar, e vai levar o prédio inteiro com ele. Vou tirar essa gente daqui", disse o ex-militar na época.
Legado e memória
Mais de 9.400 pessoas faleceram posteriormente devido a doenças relacionadas à exposição a substâncias tóxicas. Atualmente, o Museu e Memorial do 11 de Setembro foca na educação das novas gerações, visto que cerca de 100 milhões de americanos não eram nascidos ou eram muito jovens na época. Pesquisas recentes indicam que 60% dos americanos ainda pensam periodicamente no atentado, embora a maioria questione a eficácia das guerras no Oriente Médio iniciadas após os ataques e mostre resistência ao monitoramento de comunicações eletrônicas sem mandado judicial por agências de inteligência.
