Um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou condenação nesta segunda-feira (28) à continuidade da expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. Durante pronunciamento no Conselho de Segurança da ONU, Ramiz Alakbarov, coordenador especial adjunto para o Processo de Paz no Oriente Médio, advertiu que tal crescimento contínuo prejudica a viabilidade de um Estado palestino e compromete a solução de dois Estados.
Alakbarov declarou que a ampliação das colônias, incluindo a ocorrida na sensível região E1 a leste de Jerusalém, infringe o direito internacional e aprofunda a ocupação israelense. Segundo o representante, a execução do plano na área E1 provocaria a divisão entre o norte e o sul da Cisjordânia, isolaria Jerusalém Oriental e configuraria uma ameaça existencial a um futuro Estado palestino.
O coordenador especial adjunto afirmou que condena veementemente a expansão incessante dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, apontando que o processo intensifica tensões, restringe o acesso dos palestinos a suas propriedades e coloca em risco a viabilidade de um Estado palestino independente, soberano e contíguo territorialmente, cenário agravado pelo crescimento nos ataques de colonos.
Para Alakbarov, a conjuntura é insustentável nos âmbitos moral, jurídico e político, sendo necessário reafirmar o engajamento com a solução de dois Estados antes que seja tardio. O Conselho de Segurança também escutou depoimentos de ativistas pela paz de Israel e da Palestina, que requereram o encerramento do conflito em Gaza e a revitalização das iniciativas voltadas à coexistência.
O ativista israelense Maoz Inon apontou que o Hamas praticou um crime de guerra traiçoeiro em 7 de outubro ao matar e sequestrar civis israelenses inocentes. Contudo, Inon argumentou que o governo de Israel utilizou tais ocorrências para conduzir uma guerra de vingança, gerando destruição catastrófica em Gaza e acelerando a limpeza étnica, a expansão de assentamentos e o deslocamento forçado na Cisjordânia, ressaltando que o luto não justifica a guerra.
Representantes de China, Reino Unido e Rússia igualmente manifestaram oposição à expansão das colônias na Cisjordânia ocupada. Em contrapartida, Riyad H. Mansour, representante da Autoridade Palestina, afirmou que a finalidade do plano consiste em destruir o Estado palestino e qualquer possibilidade de paz.
Por sua vez, Noa Furman, representante de Israel, refutou as acusações de que os assentamentos constituem o principal óbice à paz, ponderando que o obstáculo fundamental permanece sendo a carência de um interlocutor palestino dedicado à paz.
