A Organização das Nações Unidas (ONU) abre nesta terça-feira (22) a sua 81ª Assembleia Geral enfrentando um cenário de indefinição na disputa pela sucessão do atual secretário-geral, António Guterres, além de encontrar dificuldades para consolidar consensos entre os membros do Conselho de Segurança.
Guterres deixará o comando da organização ao final deste ano, após cumprir dois mandatos de cinco anos cada. Até o momento, sete nomes continuam na corrida pela posição, embora exista a possibilidade de novas candidaturas surgirem no decorrer do processo.
Como está a disputa pela sucessão
A corrida sucessória ganhou novos contornos no sábado (20), quando a ex-presidente do Chile e ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet — que contava com o apoio do Brasil —, oficializou a retirada de sua candidatura. A decisão veio apenas um dia após uma votação informal indicar que o respaldo político à chilena havia sofrido uma forte derrocada.
Na terceira sondagem informal realizada pelo Conselho de Segurança na sexta-feira (19), a ex-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, posicionou-se na liderança com uma vantagem estreita sobre a embaixadora da Guiana na ONU, Carolyn Rodrigues Birkett. A votação ocorre por meio de cédulas secretas a portas fechadas, onde os integrantes respondem se apoiam, rejeitam ou não têm opinião sobre os postulantes.
- Rebeca Grynspan (Costa Rica): 9 votos de apoio, 5 de rejeição e 1 sem opinião.
- Carolyn Rodrigues Birkett (Guiana): 8 votos favoráveis, 6 contrários e 1 sem opinião.
- Olara Otunnu (Uganda): 5 votos de apoio, 7 de rejeição e 3 sem opinião.
- Rafael Grossi (Argentina): 5 votos favoráveis, 8 contrários e 2 sem opinião.
- Macky Sall (Senegal): 5 votos de apoio, 9 de rejeição e 1 sem opinião.
- Maria Fernanda Espinosa (Equador): 3 votos favoráveis, 6 contrários e 6 sem opinião.
- Michelle Bachelet (Chile): 1 voto favorável, 11 contrários e 3 sem opinião.
- Ivonne Baki (Equador): 0 votos favoráveis, 10 contrários e 5 sem opinião.
Próximos passos e o papel do Conselho de Segurança
O processo sucessório ainda precisará passar por novas rodadas de votações indicativas antes que o Conselho de Segurança consiga definir um nome para recomendar à Assembleia Geral. Richard Gowan, diretor de questões globais e instituições do International Crisis Group, avalia que nem Grynspan nem Birkett demonstram capacidade, no momento, de alcançar um avanço decisivo.
Segundo Gowan, o cenário atual pode incentivar a desistência de postulantes com desempenho mais fraco e, simultaneamente, encorajar novos concorrentes que aguardam nos bastidores. Em última análise, a escolha exige consenso entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança que detêm poder de veto: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
Como precedente, a escolha de António Guterres em 2016 exigiu seis votações indicativas até que houvesse um entendimento no Conselho de Segurança. Após o aval desse órgão, caberá a recomendação formal de um único candidato à Assembleia Geral, composta por 193 países, cuja aprovação costuma ser tratada como formalidade após o consenso inicial.
