A OpenAI solicitou na segunda-feira (21) que os Estados Unidos assumam a liderança em um esforço internacional voltado à criação de padrões técnicos globais para sistemas avançados de inteligência artificial (IA). Entre as questões abordadas está o aprimoramento recursivo, cenário em que um sistema adquire a capacidade de melhorar autonomamente suas próprias funções.
O avanço da tecnologia figura como um dos principais tópicos de discussão na Assembleia Geral da ONU ao longo da semana. O debate ocorre em um contexto em que executivos do setor, incluindo o diretor-executivo da OpenAI, Sam Altman, já haviam defendido uma desaceleração coordenada no desenvolvimento tecnológico, alertando que ferramentas altamente avançadas podem eventualmente superar o controle humano.
Em uma publicação em seu blog, divulgada durante a reunião de líderes mundiais nas Nações Unidas, a empresa destacou a necessidade de estabelecer mecanismos para alinhar normas nacionais e internacionais aplicadas aos sistemas de IA mais complexos. A companhia também propôs a adoção de métricas padronizadas para avaliação tecnológica e protocolos unificados para comunicação de incidentes entre nações.
"A liderança agora determinará se os Estados Unidos moldarão a estrutura global da IA ou se assistirão à formação de um sistema fragmentado, desigual e repleto de conflitos. Isso também determinará se a IA avançada fortalecerá as redes que os Estados Unidos e seus aliados já possuem; a falha em liderar pode enfraquecê-las", apontou a postagem da empresa.
A indústria tem debatido a hipótese de desacelerar de forma intencional a evolução da inteligência artificial devido a riscos de danos futuros à humanidade. Sobre o tema, a OpenAI esclareceu que modular o ritmo do desenvolvimento não implica em impor uma velocidade fixa, mas assegurar que pesquisas de alinhamento — focadas em fazer com que a tecnologia atue conforme valores humanos — e sua implementação mantenham-se sempre à frente das capacidades computacionais.
Conselho de Segurança da ONU e debate geopolítico
Na quarta-feira, Sam Altman tem previsão de apresentar um relatório sobre IA e segurança internacional aos 15 integrantes do Conselho de Segurança da ONU. A sessão foi convocada pela França, detentora da presidência do órgão em setembro, e será conduzida pelo ministro francês para a Europa e Assuntos Exteriores, Jean-Noël Barrot.
Por outro lado, a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, posicionou-se contrária aos apelos para frear o avanço tecnológico, sob o argumento de que uma interrupção abriria espaço para que a China reduza a vantagem americana em uma área estratégica para a segurança nacional e econômica. No início do mês, Trump declarou que os EUA já contam com salvaguardas regulatórias e que a China lucraria com eventuais incertezas no setor. Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping têm um encontro programado para esta semana em Washington.
