As plataformas de petróleo, usinas, minas, plantas industriais e sistemas de saneamento reúnem ativos de alto valor submetidos a exigências contínuas de confiabilidade, segurança e disponibilidade. Nessas estruturas, equipes técnicas, sensores, sistemas de controle e plataformas digitais produzem e consultam dados ao longo da jornada operacional, elevando a relevância da informação no fluxo de gestão.
O Relatório do Estado da Produção Inteligente 2026, elaborado pela Rockwell Automation com mais de 1.500 fabricantes de 17 países, indica que 90% dos ouvidos enxergam a transformação digital como essencial para manter a competitividade, impulsionados por pressões por produtividade, exigências regulatórias rigorosas e compromissos com a sustentabilidade.
No cenário nacional, contudo, os investimentos industriais ainda focam majoritariamente na renovação e mecanização do parque fabril. A Sondagem Especial 105, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em agosto de 2026, aponta que 72% das principais máquinas e equipamentos adquiridos em 2025 tiveram como foco a mecanização da produção. A robotização representou 19%, enquanto a automatização — caracterizada pelo uso de máquinas conectadas em rede capazes de transmitir e processar dados — ficou em 5%.
O recorte por porte mostra que, entre as grandes indústrias que investiram em equipamentos, 7% destinaram a principal aquisição à automatização, ante 4% entre as médias e 2% entre as pequenas empresas. A Pesquisa de Inovação Semestral do IBGE, publicada em 2025, revelou que 59,2% das empresas industriais utilizam somente uma ou duas tecnologias digitais, e 47,6% relatam dificuldades para inovar.
A dispersão de informações entre diferentes plataformas de produção, manutenção, engenharia e gestão limita a capacidade de correlacionar eventos e identificar causas de falhas. A integração entre tecnologia da informação e tecnologia operacional torna-se fundamental para unificar históricos de manutenção, consumo, desempenho e segurança. Para setores como mineração, energia, óleo e gás, siderurgia e papel e celulose, tal conexão impacta diretamente a disponibilidade, o planejamento, a rastreabilidade e a conformidade, exigindo também atenção à cibersegurança.
A inteligência artificial passa a ser integrada em áreas como controle de qualidade, manutenção preditiva, monitoramento de ativos, otimização de processos, análise operacional e cibersegurança. Ferramentas de IA generativa auxiliam a engenharia em consultas a documentações técnicas e históricos, enquanto agentes inteligentes acompanham condições operacionais e executam tarefas. O sucesso dessas tecnologias depende da qualidade dos dados, da segurança da infraestrutura digital e da qualificação profissional em áreas como automação, análise de dados, inteligência artificial, cibersegurança e resolução de problemas.
