A entrevista exclusiva concedida pela empresária Roberta Luchsinger à CNN na noite do último sábado provocou intensa repercussão entre parlamentares da oposição e da base governista. Enquanto o bloco oposicionista exigiu medidas de proteção para a lobista e suas duas filhas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, rejeitaram as declarações.
Durante a entrevista, Roberta Luchsinger afirmou que Lulinha reuniu-se "inúmeras vezes" com ministros do governo do pai. Segundo a empresária, o presidente Lula mente ao declarar que o filho jamais manteve encontros com integrantes do alto escalão de sua gestão. A entrevistada manifestou o desejo de firmar um acordo de delação premiada, assegurando que não poupará nem Lula nem Lulinha, além de declarar ter sido utilizada como "boi de piranha" pelo chefe do Executivo.
A empresária também respondeu aos qualificativos recebidos anteriormente de Lula: "Ele mente o tempo inteiro. [...] Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu", afirmou. Ela lamentou o rompimento e as ofensas recebidas, mencionando termos como "pilantra", "mau caráter", "falastrona" e uma comparação ao que definiu como "Vorcaro feminino", após ter atuado em defesa do atual presidente inclusive durante o período em que ele esteve preso.
Diante das revelações, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) informou ter acionado o procurador-geral da República, Paulo Gonet, requerendo a inclusão da empresária e de suas filhas no programa de proteção à testemunha. O líder da oposição na Câmara, deputado federal Gilberto Silva (PL-PB), declarou ter protocolado idêntico pedido em órgãos competentes para garantir a segurança da delatora.
Gilberto Silva detalhou o envio de ofícios direcionados à Polícia Federal (PF), ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR) cobrando vigilância imediata. O parlamentar também apresentou um Requerimento de Informação ao ministro da Justiça, requisitou a convocação do titular da pasta na Comissão de Segurança Pública, propôs audiência pública nas Comissões de Direitos Humanos e da Mulher, e acionou a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). "Se o Estado não proteger, levamos à Comissão Interamericana. Ninguém vai calar uma testemunha neste País", declarou o parlamentar.
Nas redes sociais, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, repercutiu trechos da entrevista no Instagram e no X, onde impulsionou a hashtag "Fala tudo Roberta", que figurou entre os tópicos mais comentados do dia.
Em nota oficial divulgada por sua assessoria de comunicação, o presidente Lula afirmou que "desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger". O comunicado acrescenta que o presidente nunca manteve interlocução com ela, não atendeu a demandas da empresária e não tem conhecimento de tratativas como as citadas, ressaltando ainda a inexistência de contratos entre o governo federal e Roberta. A nota classifica as declarações como denúncias sem comprovação veiculadas às vésperas do segundo turno eleitoral, apontando uma tentativa de tumultuar o processo democrático e manipular a opinião pública.
Fábio Luís Lula da Silva também se manifestou por meio de nota, negando a prática de irregularidades e sustentando que sua relação com políticos e ministros decorre de convívio pessoal desde a infância, sem caráter ilegal ou não republicano. Lulinha afirmou que abriu dados bancários, fiscais e telemáticos para colaborar com a Justiça, pontuou que as insinuações de Roberta divergem de seu depoimento prestado às autoridades e atribuiu as declarações a um descontentamento com manifestações sobre seu caráter e a vazamentos que visam controlar a pauta da imprensa no período eleitoral. Ele declarou que comprovará sua inocência nos autos após ter acesso a provas concretas.
