A maior feira mundial do setor ferroviário, a InnoTrans, apresenta tecnologias avançadas como equipamentos de monitoramento de trilhos em tempo real, manutenção preditiva, máquinas automatizadas e sistemas que combinam eletrificação e baterias. Contudo, o principal obstáculo do Brasil não está na capacidade de adquirir ou fabricar tais inovações, mas sim em desenvolver uma infraestrutura ferroviária capaz de utilizá-las.
Especialistas e representantes do setor apontam que a decisão de investimento das concessionárias depende de fatores como produtividade, demanda e previsibilidade contratual. Segundo Victor Araújo, presidente da Plasser Brasil, a previsibilidade dos contratos é essencial para aportes de longo prazo. A manutenção mecanizada é vista como um investimento indispensável para elevar a produtividade e superar janelas curtas de interrupção nas linhas, embora o país ainda enfrente escassez de mão de obra qualificada em áreas como mecânica, hidráulica, elétrica e análise de dados.
Além dos altos custos para adquirir novos maquinários, o setor avalia alternativas como o retrofit, que consiste na modernização de equipamentos antigos por meio de novos sistemas eletrônicos, sensores e componentes para reduzir o consumo de combustível. No entanto, o debate sobre tecnologia abrange gargalos estruturais mais amplos, como ferrovias fragmentadas, falta de integração entre modais e a necessidade de conectar regiões produtoras a portos e centros consumidores.
Representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), como Guilherme Sampaio, e da Infra S.A., por meio do diretor-presidente Jorge Bastos, destacam que a dificuldade atual reside na estruturação de recursos financeiros e no desenho de concessões com horizonte de longo prazo. Sem demanda, infraestrutura adequada e segurança jurídica e contratual, os equipamentos sofisticados expostos em feiras internacionais não conseguem entregar o ganho máximo de produtividade na malha ferroviária brasileira.
