A aliança militar ocidental Otan está intensificando o compartilhamento de informações de inteligência como resposta a uma série de episódios de sabotagem e outros incidentes apontados como ligados à Rússia. A informação foi divulgada pelo general da Força Aérea dos EUA Alexus Grynkewich, comandante supremo aliado na Europa da Otan, em entrevista à agência Reuters nesta quinta-feira (24).
Grynkewich destacou, contudo, que a aliança deve manter a calma e a confiança de que é capaz de lidar com qualquer ameaça vinda de Moscou. As declarações do comandante ocorreram após o serviço de inteligência de defesa da Dinamarca emitir um alerta de que a Rússia provavelmente deve intensificar uma guerra híbrida contra o Ocidente nos próximos meses — conceito que engloba investidas abaixo do limiar de uma ofensiva militar convencional.
O órgão dinamarquês apontou ainda um risco baixo, porém em trajetória de crescimento, de que Moscou realize um ataque militar limitado contra uma ou múltiplas nações da Otan que compartilham fronteira com o país. Grynkewich classificou o cenário como preocupante, citando ocorrências recentes como uma tentativa de ataque com drone no Aeroporto de Leipzig/Halle, na Alemanha, e o lançamento de sinalizadores por uma embarcação russa contra um helicóptero militar da Dinamarca.
De acordo com o general, apesar dos riscos, a Otan dispõe de ferramentas e mecanismos para gerenciar a situação. Por sua vez, o governo da Rússia tem negado repetidamente qualquer participação em operações de sabotagem, em guerra híbrida nos países da Otan ou a existência de planos de confronto.
Durante a entrevista por telefone, concedida enquanto se deslocava para uma cerimônia de troca de comando em um quartel-general da Otan em Norfolk, na Virgínia (EUA), Grynkewich foi questionado sobre a possibilidade de um ataque russo limitado. Ele respondeu que a hipótese é improvável, mas que não pode ser totalmente descartada, ressaltando a prontidão da aliança.
O comandante também refutou a ideia de que o presidente russo, Vladimir Putin, poderia enxergar uma oportunidade de ataque devido ao consumo de estoques globais de mísseis de longo alcance e alta precisão pelos Estados Unidos no conflito com o Irã. "De jeito nenhum. É melhor ele não tentar isso sob meu comando", declarou Grynkewich, enfatizando que a Otan está preparada para defender cada centímetro de seu território e que possui as prerrogativas necessárias para dissuadir qualquer agressão.
