Os países-membros da Agência Internacional de Energia (IEA) já disponibilizaram 325 milhões de barris de petróleo e derivados de seus estoques estratégicos, conforme divulgado pela entidade neste sábado (3). O montante alcançado representa mais de 80% da meta de 400 milhões de barris pactuada em março.
As reservas estratégicas funcionam como estoques de segurança mantidos pelas nações para ocasiões emergenciais, a exemplo de falhas no abastecimento energético. A atualização da IEA veio a público um dia após o anúncio do G7 sobre a liberação imediata de mais 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto, em articulação com a agência, com o objetivo de ampliar a oferta e conter o encarecimento dos combustíveis.
Crise nos combustíveis e impacto global
A volatilidade no mercado de diesel decorre da retração no fluxo global de petróleo e derivados. Os conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã, bem como Rússia e Ucrânia, estrangularam a oferta da commodity e elevaram as cotações, reflexos que já alcançam os postos de abastecimento.
No Reino Unido, o valor do diesel registrou alta de 40% desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, alcançando na sexta-feira (2) a marca de duas libras por litro, o que equivale a cerca de R$ 14. O encarecimento afeta a cadeia logística e a agricultura, uma vez que o diesel é fundamental para o transporte de cargas e atividades produtivas, gerando risco de repasse de custos para produtos e serviços.
Ação coordenada do G7
O G7 — grupo composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido — realizou uma reunião de caráter emergencial para debater a turbulência no setor energético. A decisão conjunta prevê a liberação imediata de 100 milhões de barris, com um volume expressivo concentrado nos primeiros 20 dias, em uma operação planejada para durar quatro meses.
A deliberação ocorreu sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exigia a participação de nações europeias na liberação de reservas e ameaçou cortar exportações americanas caso os aliados não colaborassem para ampliar o fornecimento de combustíveis. A União Europeia classificou a possível restrição americana como prejudicial ao mercado internacional, enquanto Donald Trump celebrou o acordo do G7 por meio de redes sociais.
Dúvidas sobre o volume adicional
Ainda permanece incerto se os 100 milhões de barris anunciados na sexta-feira (2) integram os 75 milhões restantes para atingir o compromisso original de 400 milhões de barris firmado em março ou se configuram um montante extra.
A questão é central porque a IEA aponta a marca de 325 milhões de barris já liberados. Caso o novo lote seja suplementar, o total disponibilizado superará a meta inicial estabelecida pela agência.
