Um levantamento conduzido pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) em cidades do interior paulista apontou que uma em cada cinco pessoas não sabe a quem recorrer diante de uma ocorrência de parada cardíaca. Os dados mostram que 17% dos homens afirmaram não saber como agir na situação, enquanto entre as mulheres o índice chegou a 21%.
A pesquisa avaliou o nível de preparo da população para lidar com emergências cardiovasculares. O cardiologista e diretor da Socesp, Elton Scuro, destaca a importância do conhecimento para transformar testemunhas em protagonistas do primeiro atendimento.
A gravidade e o fator tempo
Estima-se que cerca de 300.000 brasileiros sofram paradas cardíacas anualmente, tanto dentro quanto fora de ambientes hospitalares. O tempo é um elemento determinante para a sobrevivência: a cada minuto sem atendimento, a vítima perde aproximadamente 10% das chances de sobreviver. Em contrapartida, caso as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) comecem nos primeiros cinco minutos após o evento, a taxa de sobrevivência pode atingir entre 50% e 70%.
Especialistas lembram que parada cardíaca e infarto não são sinônimos. O infarto ocorre devido à obstrução do fluxo sanguíneo em uma parte do músculo cardíaco. Já a parada cardíaca sucede quando o coração cessa o bombeamento eficaz de sangue, interrompendo a circulação para órgãos vitais como o cérebro. O infarto pode desencadear uma parada cardíaca, mas o quadro também pode ser provocado por arritmias graves, doenças cardíacas, afogamentos, choques elétricos, traumas e outras condições. Sem oxigênio, o cérebro sofre lesões irreversíveis em poucos minutos.
Como agir diante de uma emergência
A prevenção de doenças cardiovasculares envolve controlar pressão arterial, diabetes e colesterol, além de evitar o tabagismo, praticar atividades físicas, manter alimentação equilibrada, controlar o peso, moderar álcool e fazer acompanhamento médico periódico.
A chamada "corrente da sobrevivência" envolve etapas práticas para quem presencia o evento:
- Reconhecimento rápido: Suspeitar de parada cardiorrespiratória se a pessoa perder a consciência, não responder a chamados e não apresentar respiração normal.
- Acionar o socorro: Ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192 e informar com clareza o local e a situação.
- Iniciar a RCP: Pessoas mesmo sem treinamento avançado devem realizar compressões torácicas contínuas e firmes no centro do peito para manter a circulação sanguínea até a chegada especializada.
- Uso de DEA: Em locais com desfibrilador externo automático, o equipamento deve ser empregado seguindo instruções sonoras para uso seguro por leigos.
O incentivo a treinamentos em escolas, empresas, clubes e espaços públicos é apontado como um investimento essencial em saúde coletiva para ampliar o número de pessoas capacitadas a salvar vidas.
