Um grupo formado por 31 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, nesta quinta-feira (24), acusando o governo de Donald Trump de interferir nas eleições brasileiras. O documento foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmado pela CNN Brasil.
Entre os signatários estão o senador independente Bernie Sanders — que se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana —, a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez (AOC) e outros 29 deputados democratas. No texto, os legisladores afirmam haver um esforço coordenado para ameaçar a aliança estratégica bilateral e desestabilizar a democracia brasileira antes do pleito presidencial de outubro de 2026.
Os parlamentares apontaram diversas frentes dessa suposta interferência, incluindo tarifas comerciais impostas por Donald Trump contra o Brasil e sanções aplicadas contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento classifica as medidas como uma violação extraordinária da soberania do país e menciona que a indicação de Darren Beattie para supervisionar as relações diplomáticas com o Brasil interrompeu uma trégua alcançada após conversas entre Trump e Lula.
Outro ponto destacado no documento é a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, ato ocorrido dias após uma reunião de Trump com o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo os signatários, autoridades brasileiras expressaram preocupação de que tal rótulo sirva de justificativa para ações extraterritoriais e medidas financeiras punitivas contra instituições nacionais. A crise diplomática também foi reforçada pela menção à revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.
Ao final da carta, o grupo apresentou sete exigências e questionamentos ao governo americano, estabelecendo o prazo máximo de 1º de outubro para uma resposta. Entre os pedidos, os parlamentares cobram explicações sobre a metodologia de sanções, os padrões jurídicos utilizados contra o ministro Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky, a justificativa para a classificação terrorista de facções criminosas e os motivos para a cassação do visto da diplomata brasileira. Por fim, exigem que o governo se comprometa a respeitar o processo eleitoral e a reconhecer o resultado certificado das urnas em 2026.
