Apesar dos esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assegurar a neutralidade do Centrão, uma parcela do grupo começa a direcionar atenções para Flávio Bolsonaro (PL), vislumbrando uma perspectiva de poder que pode modificar o panorama eleitoral de um eventual segundo turno.
Durante o programa Hora H desta segunda-feira (21), o analista de política Pedro Venceslau pontuou que, no primeiro turno, o bloco adotou uma postura de neutralidade e deixou de destinar a Flávio Bolsonaro o tempo de televisão proporcional a que teria direito.
“Se União Brasil, Progressistas e Republicanos tivessem fechado com o Flávio, ele teria uma larga vantagem sobre o presidente Lula no palanque eletrônico, que poderia fazer toda a diferença numa eleição como essa”, declarou Venceslau.
De acordo com o analista, a neutralidade observada no primeiro estágio da disputa decorreu de articulações de bastidores conduzidas por Lula e aliados, somadas a uma desconfiança inicial em relação à capacidade de geração de poder por parte de Flávio Bolsonaro.
Aproximação e articulações para o segundo turno
Contudo, o cenário atual aponta para uma possível alteração. O analista indicou que a campanha de Flávio Bolsonaro busca aproximação com lideranças partidárias.
“Caciques que foram, de certa forma, ignorados no primeiro turno, para que eles anunciem um apoio formal para o segundo turno”, explicou Venceslau ao detalhar o perfil dos dirigentes visados.
Em contrapartida, o presidente Lula atua para conter essa movimentação e preservar a neutralidade das siglas, com a possibilidade de liberação dos diretórios estaduais. Segundo a análise, o governo federal concentra esforços estratégicos para manter o PSD — partido que conta com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, na disputa presidencial — em posição de neutralidade.
Limitações estratégicas do apoio
Apesar da movimentação política, Pedro Venceslau ponderou que a relevância e o valor prático do apoio do Centrão diminuem na etapa de segundo turno em comparação à fase inicial.
“O tempo de televisão no segundo turno é dividido igualmente, 50% e 50%. Também não tem mais as eleições para deputado”, argumentou.
O analista também levantou dúvidas sobre os ganhos de imagem de uma eventual associação pública ao bloco político no atual contexto de restrições e desconfiança em torno das emendas parlamentares. “Nesse momento de desconfiança, não é exatamente uma força política muito popular”, concluiu.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/analise-parte-do-centrao-acena-para-flavio-bolsonaro/
