NewsHub
Mundo

Partido de Netanyahu tenta bloquear iniciativa que traz israelenses no exterior para votar

O partido Likud, de Benjamin Netanyahu, apresentou petição para barrar a iniciativa 'Fly & Vote', que facilita o retorno de expatriados israelenses para votar nas eleições de 27 de outubro.

Redação•20 de set. de 2026, 07:17
Partido de Netanyahu tenta bloquear iniciativa que traz israelenses no exterior para votar
Imagem: site

Partido de Netanyahu tenta bloquear iniciativa que traz israelenses no exterior para votar

Ouça esta matéria em voz alta

A poucas semanas das eleições em Israel, marcadas para 27 de outubro, o partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apresentou uma petição à Comissão Central de Eleições do país para tentar bloquear a iniciativa "Fly & Vote". O projeto de base auxilia dezenas de milhares de israelenses que residem no exterior a reservarem voos de retorno para o dia do pleito.

Diferente da maioria das democracias ocidentais, Israel não permite o voto à distância por correio, autorizando apenas que diplomatas e representantes oficiais votem fora do território nacional. Cidadãos comuns que vivem no exterior precisam retornar ao país ou abrir mão de seu direito de voto. O Likud alega na petição que a iniciativa é uma operação ilegal financiada por recursos estrangeiros e com vínculos com o Partido Democrata, argumentando que a prioridade de acesso e tarifas em grupo constituem benefícios proibidos equivalentes a suborno eleitoral, além de poderem comprometer a integridade da eleição.

A entidade responsável pelo projeto, a America-Israel Democracy AID Coalition — uma organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos e fundada em 2023 —, nega qualquer afiliação partidária e sustenta que atua dentro da legalidade. Segundo os organizadores, mais de 35 mil cidadãos já se cadastraram e pesquisas internas apontam que mais de 50 mil pretendem retornar. Batell Blaish Sultanik, cofundadora da iniciativa, afirmou que o grupo não financia diretamente as passagens e não verifica a intenção de voto dos participantes.

O Likud teme que o fluxo de eleitores residentes no exterior beneficie os partidos de oposição em um cenário eleitoral extremamente acirrado, no qual as pesquisas mais recentes indicam que nem a coalizão de Netanyahu nem a oposição alcançam a maioria de 61 cadeiras necessária para formar governo. A votação de 27 de outubro será a primeira eleição nacional após quatro anos turbulentos sob o governo de coalizão de direita e ultraortodoxa de Netanyahu.

O cenário também envolveu debates sobre o espaço aéreo. Parlamentares da oposição e a Associação pelos Direitos Civis em Israel acionaram a Comissão Central de Eleições para garantir a manutenção dos voos abertos, após reportagem do jornal Haaretz sugerir discussões internas no Ministério dos Transportes sobre a redução de atividades na data. A ministra dos Transportes, Miri Regev, do Likud, classificou a reportagem como mentira grosseira e garantiu que o espaço aéreo permanecerá aberto. Por sua vez, o ministro das Comunicações, Shlomo Karhi, declarou em entrevista de rádio que quem não reside no país não deveria retornar apenas para tentar substituir o governo.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/netanyahu-tenta-impedir-que-israelenses-que-vivem-no-exterior-votem/

Compartilhar