O partido Rússia Unida, ligado ao presidente Vladimir Putin, conquistou uma maioria expressiva na Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 21, pela presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, com base na apuração de mais de 95% das urnas.
Com os resultados parciais, a legenda caminha para assegurar 355 das 450 cadeiras disponíveis, consolidando ainda mais o seu controle sobre o poder legislativo nacional. O partido obteve pouco menos de 58% dos votos destinados às 225 vagas de distribuição proporcional entre as siglas. Nas outras 225 cadeiras disputadas por meio de distritos eleitorais, candidatos da legenda apareciam na liderança em 208 disputas. Esse desempenho garante à sigla a manutenção do patamar necessário para uma maioria constitucional, viabilizando alterações na Constituição sem a necessidade de apoio de outras forças políticas.
Esta foi a primeira eleição parlamentar realizada no país desde o início do conflito na Ucrânia. O pleito também abrangeu a Crimeia, território anexado pela Rússia em 2014, além de quatro regiões ucranianas parcialmente sob ocupação russa — cuja anexação por Moscou carece de reconhecimento internacional. O governo da Ucrânia classificou o processo de votação nessas áreas como ilegal. Em uma seção eleitoral situada na zona ocupada de Donetsk, eleitores registraram seus votos sob a vigilância de um militar russo armado.
A votação transcorreu em um cenário de intensificação de investidas ucranianas em solo russo. O Ministério da Defesa declarou ter neutralizado 1.110 drones lançados pela Ucrânia no domingo, último dia de votação. Na capital, o prefeito Sergei Sobyanin classificou os ataques como o maior já registrado contra a cidade, afirmando que centenas de drones atingiram Moscou. O pleito também enfrentou um forte ciberataque relatado pelo sistema eleitoral russo.
De acordo com Ella Pamfilova, a taxa de comparecimento dos eleitores ficou em pouco mais de 59%, marcando o índice mais alto para um pleito parlamentar em mais de dez anos. A divulgação dos resultados oficiais definitivos está programada para ocorrer na sexta-feira.
Controle político e ausência de oposição
A realização da votação ocorreu sob rigoroso controle do Kremlin e restrições severas à participação de opositores. O Iabloko, único partido que manifesta oposição pública à guerra na Ucrânia, foi vetado da disputa pelas vagas de lista partidária. Além disso, diversos políticos contrários ao conflito enfrentaram prisões ou deixaram o território russo antes do período de campanha.
À exceção do Rússia Unida, apenas siglas que apoiam Putin e a continuidade do conflito participaram da disputa eleitoral, incluindo os comunistas do KPRF, os nacionalistas do LDPR, os conservadores do Rússia Justa e os liberais do Gente Nova. O governo russo optou por não convidar observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para monitorar as eleições, justificando a decisão com acusações de aplicação de padrões duplos pelo grupo em relação ao país.
