O partido Rússia Unida, que apoia o presidente Vladimir Putin, lidera com 57,8% dos votos nas eleições parlamentares russas, com mais de 95% das cédulas já processadas. Dados iniciais da Comissão Eleitoral Central indicam que a legenda caminha para assegurar 355 das 450 cadeiras na Duma, a câmara baixa do Parlamento russo. A apuração final deve ser formalmente concluída após 25 de setembro.
Caso os números sejam confirmados, o resultado representará o maior número de assentos já conquistado pelo partido, superando em 31 vagas o desempenho obtido no pleito de 2021, quando garantiu 324 cadeiras antes da invasão em larga escala da Ucrânia. O comparecimento dos eleitores em todo o país ultrapassou 59%, marca apontada como um novo recorde para eleições parlamentares na Rússia.
O pleito ocorreu ao longo de três dias, com o encerramento das urnas no domingo (20) em 11 fusos horários e em representações diplomáticas russas no exterior. A votação também abrangeu áreas ocupadas na Ucrânia, com a criação de novos distritos nas regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.
Críticas internacionais e ausência de oposição
A Ucrânia rejeitou a realização de votações em seu território e classificou o processo como uma farsa. A União Europeia (UE) condenou a votação nas áreas ocupadas e afirmou que aplicará sanções aos responsáveis. Kaja Kallas, representante de Relações Exteriores da UE, declarou que o pleito marcou mais um revés para a democracia russa, destacando o silenciamento da dissidência e a ausência de observadores internacionais. Austrália, Canadá, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido também emitiram declaração conjunta repudiando a votação em solo ucraniano.
O cenário político interno foi marcado pela ausência de oposição significativa. Segundo o grupo independente OVD-Info, mais de 2 mil pessoas estão presas por motivos políticos. O partido Yabloko, única legenda registrada contrária à guerra, teve a principal lista nacional barrada pela Suprema Corte no mês passado. Candidatos locais enfrentaram pressões e restrições, e nenhum representante da legenda foi eleito. O Yabloko relatou que observadores enfrentaram impedimentos de acesso e que um deles desmaiou durante detenção em São Petersburgo.
Ataques, falhas e voto eletrônico
Enquanto ocorria a votação, o conflito com a Ucrânia prosseguiu. Kiev lançou ataques com drones e mísseis contra alvos russos, incluindo uma refinaria de petróleo em Moscou, episódio que deixou mortos e danos materiais. Do lado russo, Ella Pamfilova, presidente da Comissão Eleitoral Central, relatou mais de 3 mil ataques de negação de serviço (DDoS) contra a infraestrutura eleitoral e informou que 74 edifícios de comissões em 10 regiões foram danificados ou destruídos.
O sistema de votação eletrônica remota foi amplamente disponibilizado e incentivado, com oferta de pontos trocáveis por prêmios. Contudo, relatos apontam falhas técnicas, interrupções e eleitores direcionados a terminais eletrônicos sem o recebimento de cédulas de papel. O próprio Vladimir Putin votou online. O Kremlin e autoridades eleitorais defenderam a legalidade do processo e rejeitaram as críticas sobre a transparência do sistema digital.
