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Patricia Abravanel e o segredo do SBT que a Globo não consegue replicar

Patricia Abravanel mantém o legado de Silvio Santos no SBT, alcançando a liderança contra a Globo e provando que a simplicidade e a intimidade com o público popular ainda desafiam o rigoroso padrão de qualidade da concorrente.

Redação•30 de ago. de 2026, 05:05
Patricia Abravanel e o segredo do SBT que a Globo não consegue replicar
Imagem: site

Patricia Abravanel e o segredo do SBT que a Globo não consegue replicar

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A Liderança da Globo e a Intimidade do SBT

A TV Globo permanece, com folga, na posição de líder de audiência da televisão aberta. Com suas novelas, jornalismo, esporte, vasta estrutura e uma capacidade de produção incomparável, a emissora carioca detém uma escala que nenhuma concorrente consegue reproduzir até o momento. No entanto, os números registrados aos domingos evidenciam que o SBT preserva um patrimônio construído por Silvio Santos (1930-2024) ao longo de quatro décadas, algo que a empresa da família Marinho demonstra dificuldade em criar: uma intimidade nonsense com o telespectador.

Resultados Expressivos sob o Comando de Patricia Abravanel

Sob o comando de Patricia Abravanel, o Programa Silvio Santos alcançou, no último domingo (23), a liderança em São Paulo durante nove minutos não consecutivos, superando inclusive a transmissão de um show da cantora Anitta na Globo. Durante seu horário completo, das 19h09 à 0h06, a atração registrou 7,1 pontos de média, com pico de 8,7 e share de 13%. Este foi o melhor resultado do semestre e a segunda maior audiência do ano para o programa. Esses números ajudam a ilustrar a forma particular de fazer televisão da emissora fundada por Silvio Santos.

O Contraste entre o Popular e o Sofisticado

Em 45 anos, o SBT consolidou uma televisão baseada em figuras com as quais o público desenvolveu uma relação de confiança, como velhos conhecidos. Apresentadores como Celso Portiolli, Patricia Abravanel, Carlos Alberto de Nóbrega e Ratinho não dependem unicamente de formatos fortes; a afinidade e a previsibilidade do que será entregue ao espectador são os pilares da audiência. Existe uma espécie de "televisão sem vergonha" no conteúdo exibido, onde o SBT nunca se preocupou excessivamente em parecer sofisticado para abraçar o público popular. Programas convivem com pegadinhas, brincadeiras de auditório, provas juvenis como a torta na cara, improvisos e erros que dificilmente passariam por um controle de qualidade rigoroso. O que poderia ser visto como desleixo tornou-se identidade.

Padrão de Qualidade vs. Simplicidade

A Globo tem tentado surfar nessa onda, como visto nos quadros de humor do Caldeirão com Marcos Mion, mas os resultados não são os mesmos, pois tudo é milimetricamente construído sob o "padrão Globo de qualidade". Em movimentos recentes, a líder tirou Eliana do SBT, comprou os direitos de Chaves e Chapolim, investiu em novelas turcas para competir com as mexicanas e trouxe sertanejos para sua grade. Enquanto isso, a família Abravanel mantém a essência de seu fundador, que começou como camelô nas ruas do Rio de Janeiro: vender a ideia de proximidade, como entrar na sala de um amigo em um domingo à noite.

O Legado de Boni e o Impacto do Streaming

O atual "padrão de qualidade" da Globo é uma sombra do passado, conceito que ganhou força na gestão de Boni, focado em alto padrão técnico, artístico e cenográfico. Esse investimento transformou a Globo em uma potência na dramaturgia e técnica, fazendo com que outras emissoras soassem improvisadas. Contudo, na última década, a chegada dos streamings trouxe competidores com apuro técnico similar. Enquanto a Globo viu sua audiência de novelas das 9 cair de 50 para cerca de 25 pontos, o SBT enfrenta o streaming de forma diferente. Para a Globo, o streaming foi um maremoto; para o SBT, uma marola, pois seu diferencial é a simplicidade como atração.

Memória Afetiva e as Portas da Esperança

O Programa Silvio Santos atravessa gerações e segue funcionando após a morte de seu criador. Patricia Abravanel, consciente de que não é Silvio, mantém viva a memória afetiva através de quadros, músicas e cenários históricos. Ela conduz rituais como o "Portas da Esperança", o "Roletrando" e perguntas de um milhão de reais. Embora essas vitórias pontuais não ameacem a liderança geral da Globo, elas são simbólicas, como já ocorreu anteriormente com Gugu, Ratinho e Hebe. O SBT segue seu jogo, dando cutucadas na concorrente que, ao tentar atrair o público jovem do streaming, acaba perdendo o telespectador tradicional que prefere a garantia das pegadinhas e da simplicidade.

Fonte: https://veja.abril.com.br/cultura/o-que-patricia-abravanel-faz-no-sbt-que-a-globo-tenta-e-nao-consegue/

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