NewsHub
Segurança

PCC e Comando Vermelho estão consolidados e estáveis no Brasil, aponta revista

Segundo a revista The Economist, PCC e Comando Vermelho diversificaram atividades, ampliaram lucros e estão consolidados no Brasil.

Redação•17 de set. de 2026, 16:00
PCC e Comando Vermelho estão consolidados e estáveis no Brasil, aponta revista
Imagem: site

PCC e Comando Vermelho estão consolidados e estáveis no Brasil, aponta revista

Ouça esta matéria em voz alta

As principais organizações criminosas do Brasil, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), diversificaram suas formas de atuação e encontram-se consolidadas e relativamente estáveis, conforme aponta uma reportagem publicada pela revista The Economist.

O veículo aponta que, embora a quantidade de crimes violentos tenha registrado queda nos últimos anos no país, a criminalidade continua sendo apontada pelos eleitores como o principal problema nacional. A publicação argumenta que a expansão das facções para além do tráfico de drogas atinge uma parcela muito maior da população por meio de novas atividades ilícitas, o que dissemina o medo de forma mais ampla.

Dados citados pela revista e estimados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que as facções faturaram US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) com cocaína em 2022. Em comparação, a arrecadação com combustível roubado, ouro ilegal, cigarros e bebidas alcoólicas contrabandeados alcançou US$ 26 bilhões (cerca de R$ 133 bilhões). Além disso, os grupos faturaram US$ 36 bilhões (cerca de R$ 185 bilhões) por meio de golpes e comercialização de celulares roubados.

“O PCC e o CV estão consolidados e relativamente estáveis”, avalia a publicação, acrescentando que, “à medida que se tornaram menos violentos, os criminosos intensificaram a corrupção de instituições”. A revista destaca que autoridades estimam gastos de centenas de milhões de dólares pelo PCC para apoiar candidatos políticos, além de tentativas contínuas de suborno direcionadas à própria polícia.

Sobre o combate a esses grupos, a The Economist avalia ser “pouco provável que o 'bukelismo' funcione no Brasil”. O termo faz referência às medidas adotadas desde 2022 em El Salvador sob o governo de Nayib Bukele, que incluem estado de exceção aprovado pela Assembleia Legislativa, suspensão de direitos constitucionais e prisões em massa — que já atingiram mais de 90 mil detidos nos últimos anos, com a inauguração em 2023 da megaprisão Cecot —, apesar de o governo salvadorenho garantir a soltura de cerca de 10% dos presos.

A revista destaca que “o PCC e o CV são mais sofisticados do que os extorsionários de El Salvador, e suas atividades são muito mais difíceis de rastrear e desmantelar”. O texto aponta ainda que uma repressão violenta com encarceramento em massa quebraria o equilíbrio atual e geraria riscos de mais violência, além do desafio imposto pelas prisões brasileiras, projetadas para 500 mil pessoas, mas que atualmente abrigam 727 mil detentos. Por fim, a publicação pondera que o aprimoramento de investigações e o treinamento policial representam estratégias mais adequadas para a redução da criminalidade.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/pcc-e-cv-estao-consolidados-e-estaveis-no-brasil-diz-economist/

Compartilhar