O deputado federal Pedro Lupion apontou a resolução do endividamento recorde e a crise de crédito no setor como as principais prioridades para a bancada do agronegócio no próximo mandato legislativo. Em entrevista ao CNN Agro News, o parlamentar ressaltou que o desafio do grupo é transformar a representatividade no Congresso em capacidade real de negociação com o governo.
Segundo Lupion, o produtor rural enfrenta atualmente um cenário severo de inadimplência, dificultando o plantio e a colheita. O parlamentar criticou a postura do governo atual em relação à renegociação de dívidas, afirmando que a medida provisória editada foi insuficiente e que o enquadramento previsto gira em torno de 12%. Ele também mencionou que o relator Paulo Pimenta ignorou 144 emendas apresentadas pela bancada do setor, além de destacar que o quadro macroeconômico — marcado por dívida pública elevada, déficit primário e juros altos — encarece o crédito e eleva o preço dos alimentos.
Sucessão na FPA e projeções para o Congresso
Durante a entrevista, Lupion confirmou que não pretende continuar na presidência da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no próximo mandato. O deputado defendeu a necessidade de renovação na liderança da entidade e informou que o nome de Zé Vitor vem sendo trabalhado para compor a nova executiva, com definição prevista para março do ano seguinte. A FPA deverá contar com cerca de 50 membros no Senado e um mapeamento que alcança praticamente todas as 333 cadeiras da Câmara, saindo fortalecida do pleito, sobretudo no Senado.
Plano Safra e sustentabilidade
O parlamentar defendeu ainda uma reformulação profunda do Plano Safra para torná-lo plurianual, com planejamento a cada cinco anos nos moldes da Farm Bill dos Estados Unidos, visando reduzir a dependência de recursos públicos. Ele destacou que na última safra de verão apenas cerca de 20% do financiamento teve origem estatal, com o restante suprido por instrumentos privados como LCAs, CPRs financeiras e o Fiagro, além de defender a criação de um seguro agrícola obrigatório e equalizado.
No âmbito ambiental e comercial, Lupion argumentou que o Brasil já cumpre a legislação mais restritiva do mundo e que propriedades privadas abrigam mais de 40% das áreas preservadas do país. O deputado citou projeções da ONU e do USDA que apontam o Brasil como o único capaz de triplicar a produção de alimentos sem desmatamento ilegal, utilizando tecnificação e pastagens abandonadas. No comércio exterior, defendeu uma reorganização diplomática para solucionar impasses como o hiato na base de dados da FAO, o fim da cota de carne para a China, relações diretas com o governo norte-americano e crises na silvicultura.
