Um levantamento divulgado nesta quinta-feira, 1°, pela Casa Fluminense aponta que cerca de 58% da população adulta da Região Metropolitana do Rio de Janeiro enfrenta dificuldades para quitar suas dívidas. A quinta edição do Mapa da Desigualdade utiliza 40 indicadores para analisar a área sob as lentes da justiça racial, de gênero, econômica e climática, apresentando um diagnóstico dos municípios antes das eleições com a finalidade de incentivar políticas públicas.
Segundo a coordenadora de informação da Casa Fluminense, Iris Rosa, a análise territorializada dos dados econômicos demonstra a materialização das desigualdades entre os municípios. A representante destacou que pessoas negras, moradores de favelas e periferias sofrem mais com a falta de políticas de redistribuição de renda e de direitos fundamentais, como saúde, moradia e transporte. Ela pontuou ainda a urgência de soluções para uma metrópole menos desigual.
Endividamento, obras públicas e transporte
A região contabiliza mais de 5,9 milhões de inadimplentes, acumulando R$ 39 bilhões em débitos. A crise financeira é mais intensa na Baixada Fluminense, com destaque para Magé, Nova Iguaçu e Queimados, que reúnem 629.702 devedores em conjunto.
O relatório também aponta um cenário de estagnação administrativa: 60% das obras públicas estão paralisadas no estado do Rio de Janeiro, índice que alcança 80% em nove cidades da Região Metropolitana. Municípios como Paracambi carecem de informações sobre o andamento dos projetos pendentes.
No setor de transportes, a tarifa de ônibus consome 10% da renda média da população. Em Belford Roxo e São Gonçalo, os gastos superam 50% da renda per capita comprometida. Além disso, a Baixada Fluminense concentra as maiores médias de deslocamento laboral, ultrapassando 1 hora e 22 minutos em algumas áreas.
Educação, violência e impacto climático
O estudo registrou um índice de abandono escolar de 4,3% na região, patamar superior à média estadual e quase o dobro do índice brasileiro. O documento atribui o abandono a barreiras como transporte ineficiente, insegurança e pressão econômica.
Em termos de segurança, a pesquisa mencionou a operação policial no Complexo da Penha, considerada a mais letal da história do estado, com 122 mortes no ano passado. No total, foram computadas 45 chacinas e 2.319 tiroteios em favelas e periferias, afetando principalmente os municípios do Rio de Janeiro, São Gonçalo, Duque de Caxias e São João de Meriti.
Na área climática, fortes chuvas danificaram ou destruíram 29.775 residências, afetando cerca de 1,49 milhão de pessoas, embora haja subnotificação pela ausência de repasses de sete municípios à Defesa Civil Nacional. Nova Iguaçu desponta como o município mais atingido por enchentes, inundações e deslizamentos desde 2021.
Queimadas destruíram o equivalente a 943 campos de futebol de vegetação nativa na Região Metropolitana em 2025, e 1.836 escolas municipais estão localizadas em ilhas de calor. Enquanto Maricá (96,6%) e Niterói (92,9%) possuem salas climatizadas quase universalmente, Petrópolis tem apenas 20,1% e Itaboraí 46,3%.
