Um levantamento divulgado nesta quinta-feira, 1°, pela Casa Fluminense apontou que mais de 60% das obras públicas estão paralisadas no estado do Rio de Janeiro. O índice atinge a marca de 80% em nove municípios da Região Metropolitana. A quinta edição do Mapa da Desigualdade avalia a área por meio de 40 indicadores focados em justiça racial, de gênero, econômica e climática.
O relatório aponta um cenário de estagnação do poder público. Municípios como Nilópolis, Itaguaí e Maricá registram 100% dos projetos parados. A situação também é considerada grave em São João de Meriti, com 93,7% de paralisação, e em São Gonçalo, com 90,9%. Na capital fluminense, mais da metade dos empreendimentos (52,4%) não avançam.
Em entrevista à VEJA, a coordenadora de informação da Casa Fluminense, Iris Rosa, criticou a situação. “Obras públicas exigem alto investimento, e a população tem plena consciência disso. Uma obra paralisada representa, na prática, o desperdício direto do dinheiro do contribuinte”, declarou. A especialista acrescentou que os materiais e maquinários ficam ociosos e há perda do esforço de trabalhadores. “O custo de vida na Região Metropolitana do Rio já é elevado, não podemos tolerar a perda de nenhum recurso”, afirmou.
O estudo foi divulgado às vésperas das eleições com o propósito de fornecer um diagnóstico dos municípios para estimular políticas públicas. As métricas foram desenvolvidas a partir de dados governamentais obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e da Geração Cidadã de Dados (GCD).
Endividamento e transporte na Região Metropolitana
A pesquisa também detalha questões de justiça econômica. Cerca de 58% da população adulta da Região Metropolitana do Rio enfrenta dificuldades para quitar dívidas, totalizando mais de 5,9 milhões de inadimplentes e R$ 39 bilhões em débitos. A crise financeira é mais intensa na Baixada Fluminense, com destaque para Magé, Nova Iguaçu e Queimados, que somam 629.702 devedores.
No setor de transportes, o peso da tarifa de ônibus compromete 10% da renda média dos habitantes. O cenário é crítico em Belford Roxo e São Gonçalo, onde os gastos com o setor superam 50% da renda per capita. Além disso, localidades da Baixada Fluminense apresentam as maiores médias de tempo de deslocamento para o trabalho, ultrapassando 1 hora e 22 minutos.
Abandono escolar e violência policial
O Mapa da Desigualdade indicou que a taxa de abandono escolar na região atingiu 4,3%, índice superior à média estadual e quase duas vezes maior que o registrado no Brasil. O relatório aponta barreiras estruturais para a interrupção dos estudos, como transporte público ineficiente, insegurança nos territórios e pressão econômica pelo sustento imediato.
O documento aborda ainda a violência policial, mencionando a operação mais letal da história do estado no Complexo da Penha, que resultou na morte de 122 pessoas no ano passado. No total, o levantamento contabilizou 45 chacinas e 2.319 episódios de tiroteio em favelas e periferias, afetando principalmente os municípios do Rio de Janeiro, São Gonçalo, Duque de Caxias e São João de Meriti.
