Cenário de incertezas na reta final
Membros do PT expressam preocupação e um “medo real” diante da imprevisibilidade que marca as semanas decisivas antes do 1º turno das eleições. O clima de tensão é alimentado pelo que aliados classificam como “vazamentos seletivos” de inquéritos da Polícia Federal envolvendo o Banco Master, gerando críticas severas por parte da legenda.
Disputa no STF e Polícia Federal
Na quarta-feira (9.set.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a “quebra completa do sigilo” das investigações sobre o referido banco. A fala ocorreu após um imbróglio jurídico: o ministro André Mendonça havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da PF, decisão que foi contraposta pelo ministro Flávio Dino, que ordenou sua reintegração. Por fim, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, suspendeu ambos os atos, mantendo Rodrigues no cargo, mas anulando os efeitos da decisão de Dino.
Relações com Alexandre de Moraes
A crise no STF, deflagrada por mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, tem sido explorada por adversários políticos para associar a figura de Lula ao magistrado. O deputado Paulo Guedes (PT-MG) defendeu a postura de Lula, afirmando que o presidente respeita as instituições e que a indicação de Moraes foi feita por Michel Temer. Guedes ressaltou que, se há questionamentos sobre contatos com Vorcaro, figuras da oposição, como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira, também teriam conexões com o empresário.
Internamente, petistas avaliam que o governo pode estar pagando um preço político por ter se aproximado de Moraes devido à atuação do ministro no julgamento do 8 de Janeiro, embora a relação tenha sofrido desgastes recentes por desconfianças sobre a indicação de Jorge Messias ao STF.
Influência externa e estratégia de campanha
Marcelo Ramos, coordenador da campanha de Lula no Amazonas, alertou para o risco de “factoides” e o interesse estratégico de forças da extrema-direita mundial, incluindo o governo dos Estados Unidos e grandes empresas de tecnologia (big techs) no pleito brasileiro. Sobre o empate técnico nas pesquisas eleitorais contra Flávio Bolsonaro (PL), Ramos pregou cautela e maior mobilização.
Por fim, congressistas do PT criticam a estrutura de comunicação da campanha, apontando falhas na distribuição de informações e uma inferioridade estratégica diante da direita nas redes sociais, que é descrita por alguns membros como mais eficiente que a esquerda, classificada como “primária” no ambiente digital.
