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Petróleo do Irã se esgota, mas regime resiste às sanções e ao bloqueio

A produção e as reservas de petróleo do Irã destinadas à exportação estão próximas do fim devido a sanções e bloqueios, mas o regime mantém resistência.

Redação•07 de out. de 2026, 04:30
Petróleo do Irã se esgota, mas regime resiste às sanções e ao bloqueio
Imagem: site

Petróleo do Irã se esgota, mas regime resiste às sanções e ao bloqueio

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A oferta de petróleo iraniano destinada à venda está próxima do esgotamento total, e a produção de petróleo bruto do país foi reduzida à metade. Diante do bloqueio e das severas sanções impostas pelos Estados Unidos, a economia do Irã enfrenta uma crise histórica, marcada por hiperinflação e encolhimento expressivo. No entanto, o regime iraniano não demonstra qualquer sinal de que pretende ceder em seu programa nuclear ou nas negociações sobre o trânsito no Estreito de Ormuz.

De acordo com dados do serviço de monitoramento de dados marítimos Kpler, o Irã não exportou nenhum barril de petróleo de seus portos em setembro, marcando o primeiro mês sem carregamentos em navios-tanque desde o início do monitoramento, em 2013. O último envio bem-sucedido ocorreu em 25 de agosto. O volume de petróleo fora da zona de bloqueio americana caiu para 10 milhões de barris, contra 100 milhões registrados em julho. Caso o ritmo atual de vendas persista, os estoques comercializáveis podem zerar até o final de outubro.

No cenário interno, os estoques terrestres se aproximam de máximas históricas, atingindo 70 milhões de barris. A produção diária despencou para cerca de 2 milhões de barris, volume suficiente apenas para suprir a demanda interna. As restrições econômicas provocaram uma contração de 10% na economia iraniana entre março e junho, segundo dados governamentais. A inflação anual disparou para 90% no mês anterior, com média de 73% ao longo do último ano, configurando o patamar mais alto desde a Segunda Guerra Mundial.

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, reconheceu publicamente a gravidade da situação econômica. Apesar do cenário catastrófico, especialistas apontam que o histórico de décadas sob sanções, combinado com uma repressão implacável aos protestos internos, confere ao regime forte resistência. Adnan Mazarei, pesquisador sênior do Peterson Institute for International Economics, destacou que, embora a população enfrente extrema miséria, o governo demonstra alta tolerância ao sofrimento civil e ampla experiência em burlar restrições internacionais.

A eficácia da Operação Pária Econômico, conduzida pelo governo Trump, dificultou rotas tradicionais. Relatos indicam petroleiros iranianos encalhados ao largo da costa do Sri Lanka sem assistência humanitária, conforme apontado por Charlie Brown, da organização United Against Nuclear Iran, com informações divulgadas inicialmente pelo Wall Street Journal. Contudo, analistas como Michelle Brouhard, chefe de política e risco geopolítico da Kpler, avaliam que o regime mantém redes sofisticadas de evasão, o que sugere a continuidade de fluxos financeiros por meio de rotas terrestres alternativas, criptomoedas, dinheiro em espécie ou intermediários em países vizinhos.

Enquanto o custo de manutenção do bloqueio e das escoltas navais encarece o transporte marítimo global e eleva os gastos dos contribuintes americanos, o Irã aposta na paciência estratégica. Para analistas ouvidos, o país resiste na expectativa de que os custos políticos e financeiros da operação atual tornem-se insustentáveis para os Estados Unidos a longo prazo.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/petroleo-do-ira-esta-quase-no-fim-mas-regime-nao-da-sinais-que-ira-ceder/

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