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Economia

Petróleo no Amapá divide moradores entre esperança e temor

Descoberta de petróleo pela Petrobras na costa do Amapá gera expectativas de desenvolvimento econômico e preocupações ambientais em Oiapoque.

Redação•25 de set. de 2026, 13:18
Petróleo no Amapá divide moradores entre esperança e temor
Imagem: site

Petróleo no Amapá divide moradores entre esperança e temor

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A descoberta de petróleo na costa do Amapá tem gerado divergências entre os habitantes de Oiapoque, município localizado na fronteira com a Guiana Francesa. Enquanto parte da população vislumbra um cenário de desenvolvimento econômico e novas oportunidades, comunidades indígenas, pescadores e lideranças locais expressam preocupações com os possíveis impactos socioambientais da atividade.

As operações offshore foram iniciadas pela Petrobras há cerca de um ano. Em agosto, a estatal informou a identificação de hidrocarbonetos no primeiro poço exploratório da área, situado a 175 km da costa. O achado aconteceu em uma zona onde a Guiana e o Suriname já conduzem exploração petroleira em larga escala. Após o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no local e classificou a descoberta como um passaporte para o futuro.

Situado a aproximadamente 600 km de Macapá, Oiapoque apresenta acesso desafiizado, exigindo o tráfego por trechos de estrada de terra e pontes de madeira. De acordo com o IBGE, a cidade registrava 28 mil habitantes no Censo de 2022, período em que mais da metade dos moradores dependia do Bolsa Família. Contudo, a prefeitura estima que a população atual varie entre 40 mil e 45 mil pessoas, impulsionada pelo fluxo migratório iniciado com as atividades da petrolífera.

Preocupações com o meio ambiente e a pesca

Entre os principais receios das comunidades tradicionais está a possibilidade de acidentes ambientais. O cacique Wagner Karipuna, de 57 anos, morador da aldeia Mangá a 20 km do centro urbano, manifesta temor quanto a um eventual vazamento que possa atingir os rios locais. Segundo ele, a água não possui fronteiras e os impactos na região já são perceptíveis devido ao tráfego diário de helicópteros e aviões, cuja sonoridade afasta a fauna local. O cacique também declarou frustração com o presidente Lula diante de suas pautas ambientais.

O setor pesqueiro compartilha das apreensões. Joelso Mendonça, vice-presidente da colônia de pescadores Z03, que conta com cerca de 400 associados, alerta que a contaminação da área comprometeria a comercialização do pescado. Por outro lado, a Petrobras sustenta que estudos técnicos apontam baixa probabilidade de o petróleo atingir o litoral e que mantém canal de diálogo com as lideranças indígenas, tendo inclusive ajustado rotas aéreas após negociações.

Jean Paul Prates, que esteve à frente da Petrobras entre 2023 e 2024, pontua que nenhuma exploração offshore apresenta risco zero, ponderando que, embora a chance de um vazamento seja remota, as consequências potenciais seriam graves.

Expectativas de crescimento e desafios estruturais

Em contrapartida, moradores veem na exploração um vetor de progresso. A pastora Jacqueline Cadete, de 45 anos, retornou ao Brasil no final de 2025 para residir em um dos novos bairros de Oiapoque, motivada pelas perspectivas econômicas. Projeções do Observatório Nacional da Indústria indicam a possibilidade de criação de mais de 50 mil empregos no estado do Amapá, além da arrecadação futura de royalties caso a exploração comercial seja efetivada. Contudo, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou em agosto que o início da produção comercial não deve ocorrer antes de seis ou sete anos.

O crescimento populacional acelerado já impacta o município por meio da especulação imobiliária, forçando famílias a deixarem o centro em direção a áreas periféricas. No bairro Nova Conquista, Thais Pereira de Souza, de 32 anos, reside precariamente com familiares em busca de melhores condições de vida proporcionadas pelo setor petrolífero.

O prefeito Inácio Monteiro Maciel reconhece o potencial de desenvolvimento, mas aponta lacunas estruturais. Segundo o gestor, será preciso iniciar praticamente toda a infraestrutura e as políticas sociais do zero. A presidente da Associação Comercial e Industrial de Oiapoque (Acoi), Lilma Campos, adota cautela quanto aos reflexos econômicos imediatos, alertando que o otimismo excessivo propagado à população ainda carece de confirmação prática.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/09/25/petroleo-na-costa-do-amapa-divide-moradores-entre-expectativa-de-riqueza-e-medo-de-impactos.ghtml

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