A Polícia Federal (PF) aguarda o envio de informações da Polícia Civil de São Paulo para avançar nas investigações sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A autorização para o compartilhamento dos dados foi emitida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, na segunda-feira (24).
Estratégia de rastreamento de recursos
Segundo apuração do analista Elijonas Maia, apresentada no Live CNN de terça-feira (25), a PF adotou a estratégia de "follow the money" (seguir o dinheiro) para identificar a origem e o destino dos recursos utilizados na produção do longa-metragem. A investigação federal busca mapear a movimentação financeira com base em prestações de contas, documentos e quebras de sigilo bancário.
A produtora responsável pelo filme é a Go Up Entertainment, e a PF ainda não sabe se todo o dinheiro foi aplicado no Brasil ou se parte foi remetida ao exterior. Caso o inquérito sobre emendas parlamentares produza elementos relevantes para outro inquérito que investiga o senador Flávio Bolsonaro (PL), a PF poderá solicitar novo compartilhamento de provas, ampliando as apurações para possíveis casos de evasão de divisas.
Conexão entre investigações
A investigação autorizada por Dino envolve o nome de Karina Ferreira da Gama, apontada como elo entre a apuração estadual e a federal. Ela é responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental que firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades da capital. A PF já deflagrou uma operação contra o ICB em junho deste ano para verificar o cumprimento do contrato e possíveis desvios de recursos.
Na ocasião, a Prefeitura de São Paulo afirmou não ter identificado irregularidades nos contratos e declarou confiar na inocência de Karina da Gama. O prefeito Ricardo Nunes chegou a citá-la publicamente em defesa de sua conduta.
Dois inquéritos no STF
Os relatórios da Polícia Civil de São Paulo, que serão compartilhados com a PF, fazem parte de dois inquéritos no STF relacionados ao filme. O primeiro, sob relatoria de Flávio Dino, investiga denúncias de que emendas parlamentares no valor de R$ 2 milhões, destinadas ao ICB por parlamentares da direita, sobretudo do PL, poderiam ter sido desviadas para a produção de "Dark Horse".
O segundo inquérito, sob relatoria de André Mendonça, apura a participação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que teria repassado R$ 61 milhões para o filme. A suspeita é de que parte desses recursos tenha sido desviada para custear a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde reside desde 2025. A família Bolsonaro nega qualquer irregularidade, e Eduardo Bolsonaro afirmou que indicou o advogado responsável pelo fundo que administra a produção nos EUA por confiança, mas negou ter recebido recursos de Vorcaro.
