A qualidade do ar em Manaus foi classificada como “muito ruim” neste domingo (18), mantendo a capital do Amazonas em situação de alerta devido à poluição provocada por fumaça de queimadas no interior do estado e em outras unidades da Federação. Segundo a Defesa Civil municipal, a concentração de material particulado fino (MP2,5) atingiu 94,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) às 9h30, com base em dados de 14 sensores da plataforma PurpleAir. O alerta permaneceu válido até as 15h.
No sábado (17), a situação foi considerada crítica e a qualidade do ar foi classificada como “péssima” pela Defesa Civil, registrando uma concentração média de MP2,5 de 401,4 µg/m³ às 6h30. De acordo com a plataforma internacional IQAir, o índice de qualidade do ar chegou a 693 pontos entre 7h e 8h, nível considerado “perigoso”, fazendo com que Manaus ocupasse o topo do ranking das cidades mais poluídas do Brasil no dia.
Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontam que o Amazonas registrou 1.892 focos de incêndio nos primeiros 17 dias de outubro. O governo estadual reconheceu emergência em 36 municípios afetados. As ações de combate concentram-se atualmente em Apuí, Humaitá, Autazes, Boca do Acre, Itacoatiara, Careiro da Várzea e Itapiranga.
O Corpo de Bombonets Militar do Amazonas (CBMAM) contabilizou 3.710 ocorrências de incêndios urbanos e florestais entre 1º de junho e 16 de outubro, atuando no combate a 22.557 focos — sendo 4.598 na capital e 17.959 no interior. O esforço conta com a mobilização de 11 aeronaves dos governos federal e estadual, incluindo sete aviões Air Tractor, um KC-390 e três helicópteros. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou, até 15 de outubro, 610 autos de infração, mais de R$ 167 milhões em multas e realizou 421 embargos em uma área de 65.281,12 hectares.
A fumaça e os riscos à saúde impactaram os serviços públicos, resultando na suspensão de aulas presenciais da rede municipal de ensino na última semana. A Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) registrou um aumento de 10,5% nos atendimentos por doenças respiratórias entre agosto e setembro.
Diante do cenário, o prefeito de Manaus, Renato Junior, publicou um apelo nas redes sociais no sábado (17) por ajuda de autoridades estaduais, nacionais e internacionais. Na gravação, o chefe do Executivo municipal declarou que a cidade está “pedindo socorro” e que as chamas não foram originadas na capital. “Estamos fazendo a nossa parte, mas volto a repetir: Manaus não está em chamas, as chamas vêm de outros municípios e até de outros estados. Enquanto a fumaça sufoca e prejudica o nosso povo, a nossa gente, faço um apelo a todas as autoridades estaduais, nacionais e até internacionais. Manaus precisa de socorro”, afirmou.
Para este domingo, a previsão da Defesa Civil aponta temperaturas entre 25°C e 33°C e umidade relativa do ar variando de 50% a 85%. Há expectativa de pancadas de chuva pela manhã e chuva isolada à tarde, o que pode alterar temporariamente as condições atmosféricas, sem garantia de melhora na qualidade do ar.
As autoridades recomendam que a população mantenha a hidratação, utilize máscaras do tipo PFF2, evite exercícios físicos e acompanhe os alertas oficiais. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias devem redobrar os cuidados. A Prefeitura de Manaus também orientou os moradores a ficarem em casa e denunciarem novos focos de incêndio.
