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Popularidade de Javier Milei na Argentina sofre impacto com ajuste econômico

Ajuste econômico radical de Javier Milei na Argentina reduz a inflação, mas provoca desemprego, queda nos salários e alta na taxa de rejeição do presidente.

Redação•02 de out. de 2026, 08:40
Popularidade de Javier Milei na Argentina sofre impacto com ajuste econômico
Imagem: site

Popularidade de Javier Milei na Argentina sofre impacto com ajuste econômico

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A política de corte de gastos implementada por Javier Milei na Argentina, iniciada no final de 2023 após sua chegada à Casa Rosada, tem gerado impactos na popularidade do presidente. Com o objetivo de reverter a crise econômica herdada de gestões peronistas, o governo reduziu as despesas estatais em 35%, cortando subsídios em contas de luz, gás, água e no transporte.

As medidas surtiram efeito em indicadores macroeconômicos: a inflação anual recuou de 161% para 33%, o país obteve superávit fiscal pela primeira vez em mais de uma década e o PIB registrou alta de 4,4% em 2025, com projeção de crescimento para o segundo ano consecutivo. Em julho, as reservas cambiais superaram a meta do FMI e alcançaram 50 bilhões de dólares, o dobro do início do mandato, fazendo o risco-país cair de 1 900 para 600 pontos.

Por outro lado, o ajuste provocou um processo de empobrecimento na base da pirâmide. Os salários acumulam perda de poder de compra de 40%, estando mais baixos do que há três anos. A restrição aos cofres públicos reduziu o consumo das famílias e fez a produção industrial recuar 3%, o pior desempenho desde a pandemia. O banco J.P. Morgan revisou a projeção de crescimento para este ano de 5% para 1,5%, apontando previsão de recessão para o terceiro trimestre.

Dados do instituto nacional de estatísticas Indec indicam que a pobreza voltou a subir para 32%, resultando em 2 milhões de pessoas que passaram a não conseguir cobrir gastos essenciais estimados em 330 dólares por mês, após três semestres de queda. Além disso, mais de 30 000 empresas fecharam as portas durante a gestão, acarretando a perda de 410 000 postos formais de trabalho. Para o presidente, que afirmou que "esses capitalistas de compadrio precisam falir" para haver amadurecimento, o desemprego, os salários baixos e a pobreza superaram a inflação no topo das preocupações dos argentinos.

Escândalos recentes de corrupção culminaram na renúncia do chefe de gabinete da Presidência, o que contribuiu para elevar a taxa de rejeição de Milei a 64%, o patamar mais alto de seu mandato. Nas pesquisas de intenção de voto, o presidente já aparece empatado com Axel Kicillof, governador de Buenos Aires e representante do peronismo nas eleições de 2027.

Tentando mobilizar o apoio popular a um ano do pleito em que pretende buscar um novo mandato, o governo retomou a reivindicação sobre as ilhas Malvinas, dominadas pelo Reino Unido. Na terça-feira 29, o governo anunciou um processo de arbitragem contra um projeto de perfuração de petróleo perto do arquipélago, dando duas semanas para Londres interromper a exploração ou enfrentar uma ação no Tribunal Internacional do Direito do Mar. A medida veio acompanhada pelo anúncio de uma nova base naval em Ushuaia.

Outras iniciativas incluem projetos como a reforma no Banco Central para garantir sua independência e proibir o financiamento do Tesouro com a impressão de dinheiro, além de blindar a diretoria contra intervenções do Executivo. No plano internacional, a administração conta com o apoio de Donald Trump, que sinalizou revisão no apoio britânico às Malvinas e colaboração contra o narcotráfico, enquanto a Argentina adquiriu 24 caças F-16 fabricados nos Estados Unidos por 300 milhões de dólares.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/amargo-remedio-de-milei-comeca-a-provocar-efeitos-colaterais-em-sua-popularidade/

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